MNE português preocupado com a situação no Médio Oriente

Santos Silva na Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros afirmou que “A situação no Médio Oriente é muito, mas mesmo muito preocupante", recordando as difíceis situações na Síria, Afeganistão, Iraque e Irão, expressou forte discordância de Lisboa à decisão do Trump, de transferir a embaixada para Jerusalém, com protestos que envolveram já a lamentável morte de 60 palestinianos por balas do exército israelita e mais de 2.700 feridos, na Faixa de Gaza.

O MNE entende que Israel fez um "uso desproporcionado" do poder fogo “Não é com balas reais que em democracia se responde a manifestações de pessoas desarmadas", não deixando de apelar e bem a Hamas, que respeite a "segurança e soberania de Israel sobre o seu território", opção bem assumida internacionalmente e que Trump parece estar pouco interessado em entender na sua visão sectária de unir todos os conservadorismos.

Portugal e mais 23?Estados da União Europeia recusaram o convite para participarem na cerimónia de inauguração da nova representação diplomática norte-americana, deixando os EUA bastante isolados na sua opção que recusa a Jerusalém um papel de tolerância e multireligiosidade.

Segundo Santos Silva Trump “Afasta-nos dos esforços necessários para retomar o processo de paz no Médio Oriente e avançar no sentido da única solução política, que é a justa e exequível, de dois Estados -- israelita e palestiniano", e tende a agravar a já demasiada conflitualidade na Região até porque a opção trumpista só "...fortalece as forças extremistas" em ambos os lados do conflito, "faz aumentar a tensão" e "põe em perigo a condição dos EUA como mediador entre Israel e a Palestina".

Santos Silva aproveitou também para críticar a recente decisão de Donald Trump de abandonar o acordo nuclear com o Irão na audição, onde o PCP e o Bloco de Esquerda questionaram o ministro sobre que medidas a tomar face à violência das forças israelitas na Faixa de Gaza.

O deputado comunista João Oliveira acusou os EUA de "imporem a lei do mais forte, do arbítrio e da violência nas relações internacionais", defendendo que o MNE deve assumir uma "clara demarcação e não apenas votos de pesar e declarações de preocupação com a situação"

Já o deputado do Bloco de Esquerda, Pedro Soares, condenou a "mortandade inaceitável" de palestinianos, demunciando que no último mês "foram assassinadas 97 pessoas pelo exército israelita, enquanto nenhum israelita ficou ferido", perante "a complacência a nível internacional".

Santos Silva explicou ainda que Portugal se associou ao pedido da União Europeia para a necessidade de "investigações independentes para apurar as responsabilidades dos factos" ocorridos na segunda-feira.

Joffre Justino

Foto de destaque: Ali E9 - Visual hunt / CC BY

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