Havera dizem mais exigência, mas como não apareceu uma oposição interna consistente tudo parece resumir-se ao seu secretário-geral reeleito, José Luís Carneiro.
Desapareceu (?) a ameaça de rutura com o Governo, na hipotese da possível exclusão dos socialistas da negociação da lista de três juízes do Tribunal Constitucional a eleger pelo Parlamento, que pelo menos não se concretizou no 25.º Congresso Nacional de Viseu.
Logo na abertura, na sexta-feira, José Luís Carneiro prometeu "um rotundo não" ao Governo, caso este se vire para a extrema-direita em processos negociais como a eleição de juízes para o Tribunal Constitucional.
"Há linhas que não se negoceiam. A Constituição não se relativiza. A Democracia não se instrumentaliza. Se tentarem desfigurar os equilíbrios do nosso sistema democrático, começando por tentar desequilibrar o Tribunal Constitucional, ouvirão da nossa parte um rotundo não", mas Carlos César, reeleito presidente do partido com quase 90% dos votos, pôs alguma água na fervura no sábado, defendo que o PS deve "querer ser parte das soluções", apesar da "surdez e défice democrático" do Governo.
O próprio José Luís Carneiro retirou alguma pressão do momento político, ao afirmar que o PS se mantém a dialogar com o PSD na questão dos órgãos externos ao Parlamento, sobretudo o Tribunal Constitucional, e pediu reserva sobre esta matéria.
No entanto questão da eleição dos juízes para o Tribunal Constitucional foi criticamente levantada por figuras socialistas, como o ex-presidente do Parlamento Augusto Santos Silva, o eurodeputado Francisco Assis ou o ex-ministro Pedro Silva Pereira, que deixaram a ideia que o desfecho deste impasse pode mudar a relação entre os dois partidos.
A reforma das leis laborais, ainda em negociação na concertação social, foi outro dos temas do congresso, desde logo com a ex-ministra socialista Ana Mendes Godinho a pedir uma "luta intransigente" do PS contra a proposta do Governo para travar o regresso ao "século passado" em matéria de Trabalho.
Com os parceiros a assistir ao discurso de encerramento, o líder do PS não esqueceu o tema, que serviu, aliás, para o maior aviso ao Governo de Montenegro.
"Que fique claro: tal como foi, até agora, apresentada a proposta laboral merecerá a rejeição por parte do PS", advertiu Carneiro, um dia depois de o Presidente da República e ex-líder do PS, António José Seguro, ter-se mostrado esperançado num "acordo equilibrado".
Pedro Costa, defendeu no sábado que o PS é candidato a governar e não a parceiro do Governo e, um dia depois, apontou José Luís Carneiro como o primeiro-ministro que sairá das legislativas de 2029.
A ausência de uma oposição interna assumida ficou também patente no resultado para os órgãos do partido, com a lista única de Carneiro para a Comissão Nacional, liderada pela presidente da Câmara de Almada, Inês de Medeiros, a ser eleita com 88,9% dos votos.
A Comissão Nacional de José Luís Carneiro vai nas próximas semanas reunir-se pela primeira vez e eleger a Comissão Política Nacional e o Secretariado, o que permitirá perceber o grau de renovação da nova liderança do PS.
Na primeira reunião magna da era Carneiro, com cerca de metade dos delegados em relação à última, o PS inovou com uma disposição diferente da sala, desta vez em hemiciclo, um espaço onde o entusiasmo ao longo dos dias não foi muito visível, com raras exceções como o discurso de encerramento e, no sábado, a intervenção da autarca Luísa Salgueiro.