"A entrada no terminal acontece mais de seis meses depois da decisão do Tribunal Administrativo de Lisboa, de 8 de março, que determinou o acesso imediato da FlixBus a Sete Rios.
Tal representa uma primeira fase de “um processo que a operadora considera longe de estar concluído", segundo um comunicado enviado ao Notícias ao Minuto.
Para a FlixBus os "23 serviços agora autorizados sao cerca de 1,9% da alegada capacidade total do Terminal de Sete Rios, estimada em cerca de 1.200 serviços diários, e apresentam limitações significativas".
"Entre as 16h30 e as 20h30, não foi atribuída à FlixBus qualquer disponibilidade para operar diariamente no terminal, criando um período de bloqueio naquele que é o momento de maior procura", acrescenta.
Mais, "por outro lado, alguns dos slots horários atribuídos não estão disponíveis todos os dias da semana, o que impede a operação de algumas viagens apenas em determinados dias, causando alguma disrupção na operação".
A Rede Nacional de Expressos (RNE) anunciou, na semana passada, que a FlixBus pediu novamente para adiar, desta vez de 24 para 29 de setembro, o início da sua operação no terminal rodoviário de Sete Rios, em Lisboa, segundo um comunicado.
Mas a Flixbus desmente tratar-se de um pedido de adiamento, e acusa a RNE "de má fé" e de "distorção dos factos" por lhe tentar atribuir "a responsabilidade pelo atraso" no acesso àquele terminal, de acordo com fonte da empresa.
"A FlixBus sempre deixou claro que necessita de um período mínimo de 20 dias, após a confirmação definitiva do acesso ao terminal e a correção da validade das declarações de capacidade, para realizar todas as alterações necessárias no sistema e preparar a transferência da operação" do terminal da Gare do Oriente, onde a empresa atualmente opera, para Sete Rios, explicou a mesma fonte.
Essa transferência vai implicar "o cancelamento de milhares de viagens já colocadas à venda e, em muitos casos, já reservadas para o terminal do Oriente, obrigando à respetiva remarcação de passageiros para outros serviços ou ao cancelamento das reservas", acrescentou.
Alegou também que "a confirmação final da Rede Expressos relativamente aos 23 serviços a transferir nesta primeira fase só chegou na passada quarta-feira, às 20h30, na sequência da reunião entre a FlixBus e a Rede Expressos promovida pela AMT" (Autoridade da Mobilidade e dos Transportes), pelo que só nessa reunião se terá conseguido fechar "um princípio de acordo para o início da operação da FlixBus no Terminal de Sete Rios no final de setembro".
Nesse email, a RNE aceitou prolongar até 31 de dezembro as declarações de capacidade, que se encontravam expiradas ou em vias de expirar, para efeitos de acesso da Flixbus a Sete Rios, e que eram um dos pontos do diferendo entre as duas empresas.
Porém, a Flixbus considera que "apesar deste primeiro entendimento, o processo está longe de estar concluído".
No comunicado enviado às redações, a RNE, que gere o terminal, referiu que a Flixbus "tem de obter as licenças obrigatórias" para operar em Sete Rios, o que "ainda não havia sucedido até ao início do mês de setembro".
No comunicado, a RNE afirma ainda que concedeu acesso à FlixBus em 22 de maio de 2026, tendo procurado "acomodar as sucessivas pretensões deste operador, respeitando a capacidade efetivamente disponível".
No seguimento de uma decisão de março do Tribunal Administrativo de Lisboa, determinando a "concessão imediata de acesso" da Flixbus a Sete Rios, as duas entidades têm mantido conversações no sentido de cumprir a decisão, mas a FlixBus tem acusado o operador do grupo Barraqueiro de adiar a sua entrada na infraestrutura.
O diferendo entre as duas empresas começou com uma queixa da Flixbus à AMT em 2023, quando a RNE recusou dar acesso à infraestrutura.
O regulador emitiu um parecer em 08 de maio de 2025 que foi favorável à multinacional alemã, ao verificar que o terminal de Sete Rios tinha capacidade disponível, o que deveria levar a Rede Expressos a facultar o acesso à Flixbus e a qualquer outro operador, dentro dos horários disponíveis.
Em junho de 2025, a RNE negou o acesso, o que levou a Flixbus, em julho, a solicitar ao Instituto da Mobilidade e dos Transportes a suspensão temporária da concessão de autorizações de serviços expresso e, em outubro, a interpor a ação judicial, entretanto, decidida pelo Tribunal Administrativo de Lisboa em março de 2026.