Diz este sr que "a política é boa, ou a intenção da política é boa, eu já o disse várias vezes, mas depois a implementação está a ser muito má e estamos com problemas graves em Lisboa. A Câmara de Lisboa tenta reciclar o mais que pode, portanto nós estamos a reciclar e temos um programa de reciclagem. Este sistema veio trazer aqui algo que está a ser um drama humano, de dignidade humana."
O drama já lá estava, os dramas sociais já lá estavam, a campanha apenas, provavelmente, os está a expor, contrapõe a TSF: "Eu não concordo com a sua afirmação", responde o autarca da capital, "porque os dramas já lá estavam, mas estavam a ser cuidados. Quando nós temos uma pessoa que está num programa de adições e deixa esse programa para ir coletar 10 cêntimos em 200 ou 300 garrafas para voltar para a droga, então nós estamos a fazer com que esse problema que já existia estava a ser tratado, que ele aumente".
Carlos Moedas admite que na discussão que teve na área metropolitana de Lisboa houve apenas uma voz discordante , a da presidente da Câmara de Almada Inês Medeiros, que, no entanto, ouvida também aqui em Bruxelas na Semana Europeia das Regiões, pela TSF, tem outro entendimento sobre o assunto:
"Temos os aterros sobrelutados, mais um ano ou dois e não temos onde pôr os resíduos e, sinceramente, comparado ao drama que nós estamos a ter, ao nível do aumento extraordinário da produção de resíduos, a um sistema de gestão de resíduos que em toda a área metropolitana está no seu limite, porque as privatizações que ocorreram são muito problemáticas em alguns casos e sobretudo ao nível da Península de Setúbal. Eu, em consciência, não posso considerar que a questão do Volta seja uma questão prioritária na política dos resíduos e, por fim, continuo a achar que o problema do Volta tem por base um problema social e de saúde pública."
O presidente da Câmara de Lisboa está preocupado com o problema do aumento da oferta de droga e alerta para o que aí pode vir: "Os dramas sociais da droga têm vindo a aumentar, têm vindo a aumentar por muitas razões, uma delas é a quantidade de droga que começou a entrar por Portugal, como sabem a droga entrava pelos portos de Roterdão e outros portos do Norte, está a entrar hoje mais em Portugal. Os preços caíram muito e, portanto, há, de fato, uma inundação seja de cocaína e de crack e isso causa esses problemas sociais e esses problemas sociais têm uma responsabilidade que é, do Governo e também da Câmara Municipal, ter programas pós-tratar. Nós temos esses programas, nós estávamos a tratar dessas pessoas e, portanto, eu já avisei, o Governo está avisado, nós precisamos de mais programas, precisamos de mais investimento para evitar aquilo que se passou nos anos 80, mas aquilo que eu estou a ver é muito parecido com aquilo que foi o meu aviso há dois anos sobre a segurança que depois se realizou, infelizmente, e agora com as drogas é o tempo que também se vai realizar e, portanto, digo aqui que estou alarmado com a situação, obviamente, a tratar e a conseguir investir mais, mas preciso da ação do Governo nesta área."