De acordo com a informação divulgada sobre a proposta, a verba destina-se a suportar custos logísticos, operacionais e de manutenção indispensáveis à capacidade de resposta dos bombeiros.
Entre as despesas abrangidas encontram-se a manutenção e reparação de veículos de socorro, a aquisição de combustível e de consumíveis operacionais, a compra e conservação de Equipamentos de Proteção Individual, assim como os encargos relacionados com o funcionamento e a manutenção dos quartéis.
O vereador responsável pelo pelouro da Proteção Civil, Rodrigo Mello Gonçalves, considera que a autarquia está a reforçar as condições necessárias para que as associações humanitárias mantenham os seus meios operacionais e continuem a desempenhar a sua missão.
“Investir nos bombeiros é investir na proteção das pessoas e na resiliência da cidade”, afirmou.
O vereador reconheceu ainda que os bombeiros voluntários constituem “uma peça complementar muito relevante” do sistema municipal de proteção civil e que este apoio traduz o reconhecimento da Câmara pelo “trabalho incansável” desenvolvido diariamente em defesa dos lisboetas e de todos os que visitam a cidade.
As palavras são justas. A dimensão financeira do apoio, porém, é bastante menos generosa.
Uma divisão meramente aritmética dos 216 mil euros pelas seis associações corresponde a 36 mil euros por corporação — o equivalente a apenas 3 mil euros mensais durante um ano. Com esse montante pretende-se ajudar a pagar combustível, consumíveis, equipamentos de proteção, reparações de viaturas, manutenção das instalações e muitas outras despesas inerentes ao socorro permanente da população.
É difícil não considerar este valor reduzido perante a dimensão das necessidades, a responsabilidade assumida por estas associações e o risco enfrentado diariamente pelos seus homens e mulheres.
O contraste torna-se ainda mais evidente quando se analisam as receitas municipais. Segundo a prestação de contas oficial do Município de Lisboa, a Câmara arrecadou 83,2 milhões de euros através da Taxa Municipal Turística em 2025 — um crescimento de 66,8% relativamente ao ano anterior.
Atualmente, a taxa turística corresponde a quatro euros por hóspede e por noite, até ao máximo de sete noites por estadia. A taxa de chegada por via marítima é de dois euros por passageiro de navio de cruzeiro, de acordo com a tabela municipal em vigor.
Os 216 mil euros propostos para as seis associações representam aproximadamente 0,26% do valor arrecadado pela autarquia com a taxa turística em 2025.
É evidente que a receita desta taxa tem regras, finalidades e enquadramentos próprios. Mas a comparação permite perceber a escala das prioridades municipais. Numa cidade que recebe milhões de visitantes e que depende também dos seus bombeiros para garantir a segurança de quem nela vive, trabalha ou permanece temporariamente, o apoio não deveria limitar-se a um gesto financeiro quase simbólico.
Se os bombeiros desenvolvem, como reconhece a própria Câmara, um “trabalho incansável”, então esse reconhecimento deve traduzir-se em condições materiais compatíveis com a importância da sua missão.
Apoiar os bombeiros não pode ser apenas uma frase institucionalmente conveniente. Tem de significar viaturas seguras, equipamentos adequados, quartéis dignos, capacidade operacional e financiamento estável.
Perante os recursos financeiros de que Lisboa dispõe, não se justificava apoiar um pouco mais — e muito melhor — aqueles que estão sempre presentes quando a cidade mais precisa?