O Governo da Guiné-Bissau lançou uma operação de fiscalização à escala nacional para combater o contrabando de castanha de caju — a principal cultura de exportação do país e um dos pilares mais frágeis da sua economia.

A missão, realizada nos dias 10 e 11 de abril, foi liderada por Carlos Nelson Sanó, ministro da Administração Territorial e Poder Local, em representação do ministro do Comércio. A delegação percorreu três regiões estratégicas do interior do país: Ingoré, na região de Cacheu; Mansoa, na região de Oio; e Cambadju, na região de Bafatá — territórios onde o escoamento ilegal da castanha é sistematicamente mais expressivo.

Uma cadeia sob pressão

Em cada paragem, a delegação reuniu com autoridades locais para analisar os mecanismos de controlo e fiscalização ao longo de toda a cadeia de comercialização. No centro das discussões esteve a necessidade de maior articulação entre as administrações regionais, as forças de segurança e os demais intervenientes do setor.

O ministro Sanó foi direto quanto ao posicionamento do Executivo: o combate ao contrabando é uma prioridade nacional. "Há o compromisso do Governo de assegurar uma campanha organizada, transparente e em conformidade com a lei", afirmou, sublinhando o peso económico da castanha de caju para as receitas do Estado e para o rendimento dos produtores nacionais.

As autoridades locais responderam com disponibilidade. Segundo a página oficial do Ministério da Administração Territorial e Poder Local, os responsáveis regionais "manifestaram total disponibilidade para colaborar, reforçando as ações no terreno e assegurando o cumprimento rigoroso das medidas e normas estabelecidas".

Uma frente alargada

A composição da missão revela a dimensão política da iniciativa. Para além do ministro Sanó, integraram a delegação o ministro do Interior e da Ordem Pública, Mamasaliu Embaló, e o ministro da Defesa Nacional, Stive Mansa Ly, acompanhados por governadores regionais, responsáveis do Ministério do Comércio, forças de segurança e outras entidades ligadas ao setor.

A presença conjunta das tutelas da administração territorial, da segurança interna e da defesa nacional numa missão de fiscalização agrícola é, por si só, um sinal da gravidade com que o Governo enfrenta o problema. O contrabando de caju não é apenas uma questão económica — é uma ameaça à soberania fiscal e à estabilidade de um país que continua a atravessar um período político conturbado.

O caju como questão de Estado

A Guiné-Bissau é um dos maiores produtores mundiais de castanha de caju, e a campanha anual de comercialização e exportação representa uma janela crítica para a economia nacional. Quando parte dessa produção escapa pelos cantos porosos das fronteiras — sem registo, sem impostos, sem proteção para o produtor —, é o país inteiro que perde.

A iniciativa de abril insere-se num conjunto mais amplo de medidas do Executivo para garantir o bom funcionamento da campanha de 2026. O objetivo declarado é claro: proteger os produtores nacionais, salvaguardar as receitas do Estado e impor ordem a um setor historicamente vulnerável à informalidade e à exploração.

Se as intenções se traduzirão em resultados concretos no terreno, é o que a campanha de 2026 terá de responder.