A actuação repressiva das chamadas forças de segurança nos últimos dias mostra-nos claramente que estas fazem parte da superestrutura do poder económico e que foram criadas e actuam para o proteger.
Em boa verdade, o que estamos a assistir é apenas a antecâmara de algo maior em preparação e que não pode ser desligado da guerra inter-imperialista em desenvolvimento.
O insustentável aumento do custo de vida imposto por uma economia de guerra, associado à continuidade de políticas anti-sociais praticadas pelos partidos do arco da governação que se alcandoraram no poder para se governar a si e àqueles que os financiam para em troca poderem retirar mais-valias, rendas e toda a espécie de benefícios geradores de enriquecimento obsceno, é, na verdade, um dos detonadores desta agitação social que apanhou de surpresa o poder, desde Montenegro (“não queremos instabilidades importadas”) , passando pelo presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte ( “vamos ser implacáveis”) até ao ministro da administração interna, Luís Neves (“as acampadas acabaram.”), que autoritários e completamente descontrolados, perante o contexto de agitação, que se desencadeia a nível global, quiseram “cair a pés juntos” sobre quem ousa dizer não.
Num segundo acto ainda tentaram emendar a mão e, numa manobra de distracção, que apenas tem como objectivo ganhar tempo para se organizarem, dividir e aplacar o movimento, mostraram-se colectivamente “ compreensivos” e prontos para negociarem, desde o PS até ao Chega, passando pelo presidente da República, referindo que “a habitação é um problema que a todos diz respeito”. Não, a crise na habitação diz respeito a muitos, mas não diz respeito a todos, não diz respeito,desde logo, aos que têm o poder e fazem toda a espécie de negociatas dentro de uma elite financeira: o Património imobiliário está concentrado nos dez por cento dos mais ricos! Portugal tem sido um maná para toda esta classe, incluindo os nacionais que dela fazem parte, os quais comem tudo, incluindo os milhões provenientes da venda de terrenos e edifícios públicos (a lista é enorme e deve ser obrigatoriamente divulgada.), que pertencem ao povo, o qual, contudo, desconhece essas vendas e respectivos montantes, ignorando para que bolsos vão os resultados dessa alienação!
A burguesia tremeu e mostrou um medo enorme - daí as declarações autoritárias iniciais - de que estas manifestações ganhem um carácter mais insurreccional, mais abrangente e que venham a ter a participação dos trabalhadores organizados, que estes ganhem consciência de classe e da sua força e iniciem uma verdadeira acção revolucionária.
A luta pelo direito à habitação é uma luta que obrigatoriamente se insere num contexto mais vasto, pelo que há que mobilizar os trabalhadores mais avançados a participarem, impedindo que organizações pequeno burguesas os conduzam para a colaboração de classes e reformas a prazo como já se está a desenhar com vista ao esgotamento da luta.
Não à Colaboração de Classes!
Nem um Cêntimo para a Guerra!
Abaixo o Modo de Produção Capitalista!