Porque as realidades nao divergiam muito vamo-nos concentrar no caso Angolano

No século XX, o sistema colonial em Angola mantinha o trabalho indígena em ambiente de terrivel coação. O Capitão Henrique Galvão, num célebre relatório de 1947 apresentado à Assembleia Nacional, denunciou que o trabalho forçado e o contratação de mão de obra criavam condições piores do que a escravatura tradicional

O Estado Novo impunha o "código do indigenato", e forçava  os africanos a trabalhar para garantir o pagamento de impostos.

Os contratados eram movimentados de forma coerciva pelo Estado para servir roças e empresas privadas portuguesas ou nao.A mortalidade e a exaustão eram elevadas devido à falta de cuidados básicos.

Galvão afirmou que o trabalhador contratado era tratado com menos apreço do que um escravo do passado e explicou que o escravo representava capital próprio para o dono, que tentava mantê-lo vivo, enquanto o trabalhador forçado morria e era facilmente substituído pelo recrutamento administrativo.

O relatório gerou enorme desconforto político no regime de Salazar, embora as práticas de exploração laboral continuassem inalteradas até às reformas da década de 1960.

Henrique Galvão que até fora  eleito deputado à Assembleia Nacional por Moçambique, em 1945 por ter a possibilidade de denunciar as condições desumanas em que os nativos das colónias, sujeitos ao Estatuto do Indigenato, se encontravam, sendo obrigados a trabalhos forçados, não remunerados viu-se alvo de ostracismo no regime salazarento.

A sua "Exposição do Deputado Henrique Galvão à comissão de Colónias da Assembleia Nacional" foi apresentada em 22 de Janeiro de 1947, e veio a ser a principal razão para o seu rompimento com o Estado Novo

Na verdade Henrique Galvão defendia  que "o trabalho forçado ou "contratado" era a norma, com as condições de vida miseráveis, a generalizar a corrupção entre as autoridades generalizada", e foi ao  ponto  dizer que os escravos eram melhor tratados que os trabalhadores forçados, já que aos primeiros, sendo sua propriedade, o dono se esforçava por manter vivos e com saúde, enquanto que os segundos, se morriam de fome ou exaustão, eram substituídos por mais trabalhadores "recrutados" pelo Estado

Como protesto pelo facto de o regime ter ignorado as reivindicações que pretendia para melhorar as condições de vida dos nativos das colónias, passou para a Oposição Democrática e no início da década de 50, começou a conspirar com outros militares, mas acabou por ser descoberto, preso e expulso do exército.

Apoiou a candidatura presidencial do general Humberto Delgado em 1958, cuja ideia Galvão disse até ter sido sia 

Em 1960, a população de Angola era de cerca de 5,23 milhões a 5,45 milhões de habitantes. Este valor inclui a população local e uma comunidade de colonos de origem europeia (principalmente portuguesa) estimada em cerca de 126 mil pessoas.

  • Estrutura etária: Mais de 74 crianças com menos de 15 anos por cada 100 adultos em idade ativa, revelando uma população muito jovem.
  • População não indígena/europeia: Cerca de 126 mil residentes, dos quais 116 mil vindos de Portugal. 

Em 1974, a população de Angola era de cerca de 6,6 milhões de habitantes (estimada especificamente em 6.613.367 pessoas), segundo dados demográficos internacionais e projeções estatísticas da época.

  • Comunidade branca: Estima-se que viviam em Angola cerca de 335.000 cidadãos de origem europeia, nós ja ouvimos falar de perto de 500 mil (caucasianos ou nao) antes do êxodo que acompanhou o processo de descolonização.
  • Crescimento: O país registava uma taxa de crescimento natural alta, apesar do contexto de guerra colonial que terminaria nesse ano com o 25 de Abril

Em 1973, as colónias portuguesas representavam cerca de 15% das exportações totais de Portugal metropolitano.

Os territórios de Angola e Moçambique lideravam estas trocas comerciais, fornecendo matérias-primas e produtos agrícolas cruciais para a economia do Estado Novo antes do fim do império em 1975.

As colónias representavam 15% das exportações de Portuga e 10% das importações de Portugal com Angola e Moçambique a serem os  principais parceiros do espaço ultramarino.

 

Principais Produtos Exportados

  • Produtos agrícolas: café, algodão, açúcar e sisal.
  • Matérias-primas e energia: diamantes e petróleo bruto (com relevo crescente em Angola).
  • Produtos alimentares: óleos vegetais e madeira. 

Os estados da Berbéria (ou Costa da Barbária) citados pelo sr Raposo foram as instituições políticas do Norte de África (região do Magrebe) que, a partir do século XVI, funcionaram com autonomia apesar  da influência do Império Otomano.

Andaram por  esses estados  os  portos de corso e pirataria no Mediterrâneo.

Nesse contexto os principais estados eram a Regência de Argel, a Regência de Túnis, a Regência de Tripolitânia e o Xarifado/Reino de Marrocos.

  • Regência de Argel: O centro político e principal base dos corsários na atual Argélia.
  • Regência de Túnis: Localizada na atual Tunísia, com forte atividade marítima e comercial.
  • Regência de Tripolitânia: Situada em Trípoli, cobrindo grande parte da costa da atual Líbia.
  • Império de Marrocos: Mantinha-se independente do controlo direto otomano, governado por dinastias locais (como os saadianos e alauítas), com portos corsários célebres como o de Salé. 

Caraterísticas e Economia

  • Corso e Pirataria: Atacavam navios e vilas costeiras cristãs no Mediterrâneo e Atlântico.
  • Praticavam o resgate de prisioneiros e exigiam tributos de potências europeias e americanas para garantir a segurança da navegação.
  • Argel, Tunes e Trípoli eram províncias ou regências autónomas leais ao Sultão em Istambul, enquanto Marrocos preservou total soberania.

Nos séculos XVI e XVII, a costa portuguesa, as ilhas atlânticas e o tráfego marítimo enfrentaram uma intensa vaga de pilhagens. Esta violência vinha tanto de corsários europeus (franceses e ingleses) como dos chamados Piratas da Barbária (corsários berberes vindos do Norte de África). Embora operassem em contextos políticos distintos, todos viam na riqueza ibérica um alvo lucrativo.

  • Carta de corso: Eram navegadores autorizados pelas suas coroas francesa e inglesa  (através de cartas de corso) a atacar navios de nações inimigas, especialmente durante conflitos coloniais e dinásticos.
  • Alvos ibéricos: Durante a União Ibérica (1580–1640), a Inglaterra e a França intensificaram os ataques contra os impérios de Espanha e Portugal.
  • Ataques no Atlântico: Frotas inglesas e francesas pilharam portos e rotas de açúcar e especiarias para enfraquecer o poder económico católico.
  • Caça a escravos: Ao contrário dos corsários europeus (focados no roubo de cargas), os berberes atacavam vilas costeiras e navios para aprisionar civis e marinheiros cristãos, vendendo-os depois como escravos ou exigindo resgates avultados.
  • Impacto peninsular: O medo constante gerou a célebre expressão popular portuguesa "anda mouro na costa" e forçou a construção de fortificações defensivas no Algarve, na Madeira e nos Açores 

A Coroa portuguesa misturava comércio e guerra e os navios comerciais estrangeiros ou locais recusavam o sistema de passes português — a Cartaz — e eram considerados inimigos e alvo de assalto legítimo.

O "cartaz" na época dos Descobrimentos era uma salvo-conduto marítimo obrigatório emitido pela Coroa Portuguesa no século XVI para controlar o comércio no oceano Índico mais concretamente em 1502 por D. Manuel I.

A regra era Navios sem o cartaz eram atacados ou apreendidos.

No início da expansão no Oceano Índico, obviamente que era usual o assalto a embarcações muçulmanas e asiáticas sendo uma extensão natural da soberania militar do Estado da Índia.

O governador Afonso de Albuquerque afirmou em 1512 que "fazer presas" (pilhar navios e mercadorias) representava uma das formas mais rápidas e rentáveis de obter ouro, especiarias e frotas inteiras para o reino.

As tripulações e marinheiros da armada recebiam frequentemente uma percentagem direta (cerca de 20% ou mais) do valor dos bens roubados aos navios apresados. Devido aos salários baixos e atrasados na Ásia, muitos marinheiros portugueses viram-se empurrados para a deserção, transformando-se em piratas independentes ou mercenários em zonas distantes como o Golfo de Bengala e o Mar da China.

Eis alguns,

Sebastião Gonçalves Tibau: Aventureiro  que se tornou governante de facto e autoproclamado "rei" da ilha de Sundiva (atual Sandwip, no Bangladesh) no Golfo de Bengala, liderando um estado e uma frota de cariz corsário/pirata.

António de Faria: Figura célebre imortalizada por Fernão Mendes Pinto na sua obra Peregrinação, cujas expedições e assaltos no Golfo do Tonquim e costa do Mar da China oscilavam entre o comércio e a pirataria.

Damião Bernaldes: Capitão e aventureiro ativo na costa oriental do Golfo de Bengala e região de Arracão (atual Mianmar/Birmânia).

Sancho Pires: Artilheiro português que desertou, passou a servir reinos locais em Bengala e adotou o nome de Tringui Kan.

As autoridades portuguesas reprimiam com pouca firmeza os atos de pirataria praticados pelos seus próprios cidadãos contra populações locais ou inimigos, pois ajudavam a enfraquecer a concorrência na região 

 

No século XVI, o Império Otomano integrou formalmente os Estados Berberes (Argélia, Tunísia e Trípoli) como províncias autónomas, transformando os corsários locais em aliados navais estratégicos para dominar o mar Mediterrâneo e desafiar as potências cristãs europeias.

As relações entre o Império Português e o Império Otomano foram marcadas, no século XVI, por uma intensa rivalidade geoestratégica e comercial pelo controlo das rotas do Oceano Índico, do Mar Vermelho e do Golfo Pérsico, originando conflitos armados diretos e indiretos conhecidos como as Guerras Luso-Turcas.

 

O Confronto no Índico e Oriente

  • Disputa comercial: A expansão marítima portuguesa cortou as rotas tradicionais de especiarias que passavam pelo Médio Oriente, prejudicando a economia otomana.
  • Cerco de Diu (1538): Os otomanos enviaram uma grande armada para tentar expulsar os portugueses da Índia, num cerco famoso à fortaleza de Diu.
  • Apoio a aliados locais: Os otomanos apoiaram sultanatos locais (como o de Aceh, em Sumatra) com conselheiros e armas de fogo para combaterem a presença lusa na Ásia. 

Relações Diplomáticas Posteriores

  • Fim das hostilidades: Com o declínio do ímpeto militar de ambas as potências no Oriente e a mudança de prioridades europeias, os conflitos cessaram de forma gradual no final do século XVI.
  • Tratados oficiais: Só no século XIX é que foram formalmente estabelecidas relações diplomáticas e consulares regulares, seladas pelo tratado de 1843 assinado pela rainha D. Maria II e pelo sultão otomano.

Nota:

Expliquemos quem sao os heróis acima….

 

https://youtu.be/1KmwANB1wb4?si=Ano5HvXZD39Eg9-z