Para Serra Bango, houve excesso na atuação da polícia ao tentar desfazer, desmobilizar, a atividade da UNITA, do sitio alegando não haver condições para o ato.
"De acordo com as imagens que circulam nas redes sociais, não se justifica, por exemplo, que mesmo os militantes da UNITA tendo-se refugiado dentro do seu comité provincial, a polícia procurou introduzir-se no local para os retirar e descarregar toda a sua fúria sobre os militantes", frisou.
"Só não houve mortes, eventualmente, porque os cidadãos percebem o seu lugar e não reagem aos atos de provocação quer da JMPLA assim como da Polícia", disse Serra Bango, considerando que "a polícia passou para além dos limites que são admissíveis, (porque) os cidadãos não estavam armados, não arremessaram objetos contundentes contra a polícia, os cidadãos queriam apenas manifestar a sua ação política".
Serra Bango disse estar preocupado com estes atos em ano pré-eleitoral, vaticinando para 2027, das próximas eleições, eventuais "atos de maior violência, que verbal como física".
Serra Bango espera que este comportamento do MPLA não seja uma tentativa de "transferir cá para fora os problemas que tem lá dentro e não consegue resolver".
Uma declaração nesta altura do Presidente da República sobre este facto era importante, considerou Serra Bango, "mas ele não o vai fazer, porque desde 2017, quando chegou ao poder, nunca se posicionou como um chefe de Estado, posicionou-se como chefe do partido".
Tambem o especialista angolano em questões eleitorais, resolução de conflitos e democracia, Luis Jimbo, disse que esta realidade preocupa o contexto que Angola vive de consolidação da cultura democrática.
Esta violência estrutural, afirmou, ameaça a cultura democrática, poe em causa o valor da democracia multipartidária, que os partidos políticos devem exercer livremente.
"Estamos a um ano das eleições e o nosso apelo é de reiterar que este tipo de situação não volte a acontecer", disse, e afirmou que a atuação da polícia numa manifestação de um partido deve ser diferente perante o cidadão no exercicio do seu direito de manifestação.
"Por outro lado, os partidos políticos, simpatizantes e membros, quando estão perante uma manifestação política não se podem também comportar como um cidadão comum, estão para expressar o valor politico", referiu, lembrando que o deputado, o presidente do maior partido da oposição, não põem ser tratãos pela polícia como uma pessoa qualquer, a lei o protege e garante esta liberdade.
No seu entender, a Polícia e os órgãos que atuam na defesa e segurança pública devem assumir uma postura e uma atitude que não deixe dúvida na defesa da Democracia