Denuncia  uma "profunda crise do multilateralismo", o avanço do autoritarismo e a existência de um genocídio na Faixa de Gaza confirmado por comissão da ONU.

Numa Nota de Felicitação a organização de direitos humanos felicita a ONU, os seus Estados-Membros e todos os povos que acreditam nos valores da paz, da liberdade e da dignidade humana, mas alerta que a efeméride ocorre num contexto "particularmente inquietante".

Para a organização liderada por Bubacar Turé, o mundo vive hoje marcado pela xenofobia, pelo racismo, pelos discursos de ódio e pela erosão dos valores democráticos, "onde os interesses geopolíticos frequentemente se sobrepõem à proteção da vida humana".

No plano internacional, a Liga destaca "os conflitos devastadores no Sudão, na República Democrática do Congo, no Médio Oriente e entre a Rússia e a Ucrânia", que continuam a ceifar vidas e a destruir comunidades.

Sobre Gaza, manifesta "particular indignação", citando que uma Comissão Internacional Independente de Inquérito das Nações Unidas concluiu pela prática de genocídio contra a população palestiniana.

"Perante estas tragédias, o silêncio, a indiferença e a aplicação seletiva do direito internacional são moralmente inaceitáveis", acusa.

Em África, a organização manifesta profunda preocupação com a expansão do terrorismo e do extremismo violento no Burkina Faso, Mali, Níger, Nigéria e outros países da África Ocidental.

Neste capítulo, destaca o contributo do Observatório da Paz – Nô Cudji Paz, desenvolvido com o Instituto Marquês de Valle Flôr (IMVF), com financiamento da União Europeia e do Camões, na prevenção da radicalização na Guiné-Bissau, através de sensibilização, diálogo inter-religioso e mobilização comunitária.

A Liga reafirma ainda o seu trabalho de monitorização e denúncia de violações, com o Relatório sobre a Situação dos Direitos Humanos de 2025 e o Observatório dos Direitos, em parceria com a ACEP.

A Liga rende homenagem à equipa das Nações Unidas na Guiné-Bissau pelo apoio em saúde, educação, segurança alimentar, ambiente e governação democrática, e apela à revitalização do multilateralismo e à responsabilização por crimes internacionais.

"A experiência da Guiné-Bissau demonstra que a paz não se constrói apenas com mecanismos de segurança, mas sobretudo através da educação, do diálogo, da justiça e da inclusão da juventude".