Nos últimos anos tenho viajado por vários continentes e há uma impressão que se vai consolidando de viagem para viagem: a marca Sporting está a crescer de forma evidente no estrangeiro, muito por causa de Cristiano Ronaldo.

Na semana passada, durante uma viagem à Polónia, vivi mais um episódio que reforçou essa convicção. Enquanto jantava, o empregado de mesa percebeu que éramos portugueses. Sorriu e fez-nos uma pergunta inesperada: «São do Sporting?» Perante a nossa curiosidade, explicou imediatamente porquê. O Sporting era o seu clube favorito porque tinha sido o clube onde Cristiano Ronaldo começou a sua carreira.

A resposta fez-me pensar. Aquele jovem polaco não tinha qualquer ligação familiar a Portugal, não tinha crescido a acompanhar o campeonato português e, muito provavelmente, nunca tinha entrado no Estádio José Alvalade. No entanto, conhecia perfeitamente a origem futebolística do maior jogador português de sempre e isso bastava para criar uma simpatia espontânea pelo Sporting.
Não foi um caso isolado. Tenho encontrado esta realidade em diferentes países e em diferentes continentes. Quem frequenta aeroportos internacionais certamente compreenderá aquilo que digo. Cada vez é mais frequente cruzarmo-nos com estrangeiros que vestem a histórica camisola verde e branca com o número 28, aquela que Cristiano Ronaldo usou quando ainda dava os primeiros passos na equipa principal do Sporting.
É curioso observar que muitos poderiam escolher uma camisola do Manchester United, do Real Madrid, da Juventus ou da seleção portuguesa. No entanto, optam precisamente pela camisola que representa o início de tudo. É como se quisessem prestar homenagem às origens da carreira de um jogador que marcou uma geração.
As grandes marcas desportivas não vivem apenas de títulos. Vivem também das histórias que conseguem contar. E poucas histórias serão tão poderosas como a de um jovem madeirense que chegou a Alcochete, cresceu na Academia Sporting e acabou por conquistar o mundo.
Durante décadas, os clubes portugueses procuraram afirmar-se internacionalmente através das competições europeias. Hoje existe uma dimensão diferente. Milhões de pessoas conheceram Portugal através de Cristiano Ronaldo e, quando procuram saber onde tudo começou, encontram inevitavelmente o Sporting Clube de Portugal.
Esse efeito é difícil de medir, mas é impossível de ignorar. Nota-se nas conversas, nota-se nas camisolas, nota-se na curiosidade que tantos estrangeiros demonstram pelo clube leonino. É uma simpatia que nasce da admiração por um jogador, mas que acaba por se transformar numa aproximação ao Sporting.
Por vezes, em Portugal, concentramos demasiado a atenção nas rivalidades entre os nossos clubes e esquecemo-nos de olhar para a imagem que projetamos no exterior. Lá fora, Cristiano Ronaldo continua a ser um dos maiores embaixadores do país. E, ao falar dele, fala-se inevitavelmente do Sporting.
Talvez seja por isso que a camisola verde e branca com o número 28 tenha adquirido um significado especial. Já não representa apenas um jovem promissor de há mais de vinte anos. Representa o primeiro capítulo de uma das carreiras mais extraordinárias da história do futebol.
Acredito sinceramente que a marca Sporting está hoje mais forte no mundo graças a Cristiano Ronaldo. Quem viaja com frequência apercebe-se disso sem necessidade de grandes estudos. Basta conversar com as pessoas. Basta reparar nas camisolas. Basta escutar um simples empregado de mesa, numa cidade polaca, que ao descobrir que tinha clientes portugueses perguntou, quase com entusiasmo: «São do Sporting?»
Às vezes, uma pergunta tão simples vale mais do que muitas campanhas de marketing. Porque mostra que, muito longe de Alvalade, o Sporting continua a conquistar simpatizantes. E, na maioria dos casos, há um nome que explica esse fenómeno: Cristiano Ronaldo.
Paulo Freitas do Amaral
Professor, Historiador e Autor