A propósito de uma audição pedida pelo Chega, Rita Alarcão Júdice sublinhou aos deputados que "não houve qualquer mentira, ninguém mentiu" em relação aos 144 mil euros pedidos para destruição de químicos pela PJ.
Na semana passada, o Ministério da Justiça disse que o valor abrangia mais processos do que o do atrelado apreendido, contrariando o que o ministro da Administração Interna e ex-diretor nacional da PJ, Luís Neves, disse em julho, quando explicou que tomou a decisão de ter autorizado a ida do atrelado apreendido com os respetivos materiais para destruição para as instalações da Construbarcelos.
"Houve uma informação que me foi veiculada pelos serviços da Polícia Judiciária", referiu Rita Alarcão Júdice, acrescentando que pediu ao diretor nacional da PJ, Carlos Cabreiro, "para assumir pessoalmente a responsabilidade de apurar ponto por ponto o que está a passar e qual é a informação que tem de ser dada
"Eu pauto as minhas respostas por rigor, não escondo informação e, por isso, como pode imaginar, estou bastante incomodada com esta questão", admitiu.
O Ministério da Justiça está "a apurar com maior detalhe o que é que se está a passar",, e aguarda a confirmação de que todos os materiais indicados no orçamento para destruição correspondem apenas aos que foram apreendidos no âmbito da operação Pacoba.
Ora a informação que existe é a de que os materiais serão apenas da operação Pacoba, "com uma nuance: é muito mais material do que o material que estava na galera, como é natural". "E daí, provavelmente, tenha estado a origem da informação errada que recebi da parte da Polícia Judiciária", justificou esta quarta-feira na Comissão de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias.
A ministra da Justiça criticou, no entanto, quem coloca em causa a Polícia Judiciária.
No Parlamento, entrou numa troca de palavras com a deputada do Chega Cristina Rodrigues, que ripostou que quem "leva para a lama o nome" desta força policial são aqueles que "tiveram atitudes absolutamente deploráveis", falando num cheiro a "favores, a trafolhice e a amiguismos".
"A PJ está a par de todos os temas; não há desorganização. Não vale a pena tentarmos pôr em causa constantemente a instituição da PJ. Acho que temos de ter alguma cautela na forma como nos dirigimos e tratamos certas instituições que são centenárias e que têm emprestado grandes serviços a esta nação. (...) Quando há pouco falava de não lançar para a lama a PJ era exatamente porque recebi este tipo de insinuações que a senhora deputada acabou de fazer. Dizer que cheira a favores, cheira a amiguismos, são insinuações que eu sinceramente acho que não ficam bem sequer a uma deputada. Em todo o caso, são temas que estão a ser investigados, estão a ser apurados e, a seu tempo, serão esclarecidos", acentuou.