“Uma queda dessa magnitude em um único ano é encorajadora – demonstra o que uma ação governamental decisiva pode alcançar”, disse Elizabeth Goldman, codiretora da plataforma Global Forest Watch do WRI. “Mas parte do declínio reflete uma calmaria após um ano de incêndios extremos.”
Os investigadores alertaram que os incêndios provocados pelas mudanças climáticas se tornaram uma “nova normalidade perigosa”, que ameaça reverter os recentes avanços obtidos pelos esforços governamentais para combater o desmatamento.
Na verdade o fenomeno climático El Niño, que causa aquecimento global, deverá retornar em meados do ano, aumentando o risco de ondas de calor, secas e incêndios florestais.
Dados de satélite para o relatório, observaram que a perda florestal do ano passado ainda era significativa, sendo 46% maior do que há 10 anos.
Apesar dos progressos do ano passado, a perda florestal global permanece 70% acima do nível necessário para atingir a meta de 2030 de deter e reverter a perda florestal, disseram os investigadores
Grande parte da desaceleração do ano passado se deveu a quedas acentuadas no Brasil, país que abriga a maior floresta tropical do mundo.
A perda florestal no Brasil, excluindo incêndios, foi 41% menor do que em 2024 – a menor taxa já registrada.
“A queda nas emissões de gases de efeito estufa no Brasil está associada a políticas ambientais mais rigorosas e à maior fiscalização desde que o presidente Lula assumiu o cargo em 2023”, disse o Goldman Sachs em um comunicado à imprensa, referindo-se ao presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula relançou um plano de ação contra o desmatamento e aumentou as penalidades para crimes ambientais, afirmou ela.
Mas as florestas do país continuam ameaçadas pela expansão agrícola para a produção de soja e pecuária, além de esforços locais para enfraquecer as proteções ambientais, afirmaram os pesquisadores.
Outros países também apresentaram progressos.
A perda florestal na vizinha Colômbia caiu 17%, o segundo menor índice anual desde 2016, graças a políticas e acordos governamentais que limitam o desmatamento.
A perda de florestas tropicais permaneceu alta em outras partes do mundo, incluindo a República Democrática do Congo (RDC) e os Camarões, disseram os investigadores.
A perda global de cobertura florestal caiu 14% no ano passado.
Os incêndios também desempenharam um papel fundamental na perda de florestas tropicais em todo o mundo, sendo responsáveis por 42% da destruição.
Embora a maioria dos incêndios nos trópicos seja causada por humanos, as mudanças climáticas estão intensificando os ciclos naturais de incêndios nas regiões do norte e temperadas, disseram os pesquisadores.
Rod Taylor, diretor global de florestas do WRI, afirmou que, embora as florestas continuem sendo importantes sumidouros de carbono, ajudando a desacelerar as mudanças climáticas, os incêndios e as secas em um planeta em aquecimento estão transformando cada vez mais esses ecossistemas em fontes de emissões de gases de efeito estufa.
“Estamos numa situação extremamente delicada”, acrescentou.