É neste contexto, que o PCTP/MRPP definiu claramente a sua posição relativamente às eleições para a presidência da República 2026 - boicote - uma vez que os comunistas jamais podem colaborar ou criar ilusões na solução que a burguesia apresenta para a crise que ela própria criou e que a dilacera mortalmente, aspecto que ficou espelhado não só na aparente diversidade de candidatos como na forma como se armadilharam uns aos outros, num processo de antropofagia, sem discussão política, auto-elegendo a “seriedade”, nos seus vários níveis, como critério de escolha!
Assim, e com a participação de apenas 52,26% ( 5.769.394) dos inscritos ( 11.039.672), aos quais teremos de retirar 2,19% ( 126.623) de votos brancos e nulos, o que nos leva a concluir que votaram somente 50,7% (5. 642.771) de inscritos, número que diz muito da confiança que os eleitores tinham nestes candidatos. Há, pois, mais de 5 milhões de portugueses que não se deixaram iludir pelo circo eleitoral a que assistimos. Os dois candidatos mais votados, António José Seguro e André Ventura, obtiveram respectivamente 1.755.764 votos e 1. 326.942 votos: triste resultado! mas, que lançou, de imediato, o pânico e a desorientação, podemos dizê-lo, tanto nos partidos da dita esquerda reformista como nos de um sector da própria direita que quer disputar com Ventura o espaço da direita. E o voto quase que deixou de ser secreto, com a sucessão de apoios a António José Seguro! E o confronto de ideias também! É este o resultado a que conduziu a democracia burguesa! E é, sobretudo, à chamada esquerda revisionista e colaboracionista que temos de pedir contas, porquanto criou e cria ilusões neste sistema, conduzindo a becos sem saída e a um clima propício ao surgimento de um qualquer Bonaparte.
É por isso, pela contradição entre o que dizem defender e o que efectivamente fazem que os partidos ditos socialistas e falsos comunistas estão a desaparecer, tornando mais difícil a luta pela emancipação da classe trabalhadora. A luta interna da direita é um problema da direita, não dos comunistas, cujo objectivo é a mudança do modo de produção capitalista. É aí que se centra a sua luta.
O capital pode achar que ainda pode governar sob uma capa mais ou menos democrática, sem mostrar o seu lado mais repressivo, fascista; pode achar que ainda não é o tempo de André Ventura, mas este irá preparando o caminho, servindo-se oportunisticamente do descontentamento e protesto de parte da população, criando um novo dicionário, iludindo com um palavreado obsceno, na medida em que escolhe e altera palavras de acordo com os seus interesses, sem pudor de recorrer a palavras de ordem comunistas, num discurso ziguezagueante populista de acordo com os apoios que tem ou que não tem . Até porque já se percebeu claramente qual é o sistema que quer.
A pergunta que o povo português tem de fazer nestas eleições é para onde qualquer um destes candidatos o conduzirá durante o seu mandato!
Não nos deixemos iludir pelas teorias do mal menor! Os interesses do povo trabalhador não é o interesse dos capitalistas.
Boicote à farsa eleitoral!
Sim ao partido comunista das trabalhadores!
Proletários de todos os países, uni-vos!