A farsa destas eleições está exactamente neste ponto: é uma descarada mentira, hipocrisia e ataque à inteligência da população quando os candidatos dizem que o seu primeiro princípio é ser o presidente de todos os Portugueses, numa sociedade estruturada em classes e camadas de classe. Isso é impossível! Um PR que defende os grandes capitalistas nunca poderá defender, simultaneamente, a classe trabalhadora porque os seus interesses são antagónicos. Também a promessa de defenderem a constituição não colhe, até porque esta tem vindo a ser alterada ao longo do tempo. E qual deles dá garantias de defender o direito à habitação, saúde e educação, um dos princípios básicos da dita Constituição? Nenhum deles, efectivamente.
Colocar a máscara de independentes, incluindo os que recorrem à metáfora “Amo Portugal” não lhes lava a cara e os torna, num passo de mágica, em políticos apolíticos. Isso não existe! Todos são candidatos ligados a partidos e todos entram na corrida, recorrendo aos trunfos que têm, com o único intuito de caçar o voto do maior número de portugueses. Nesta disputa, chega-se ao cúmulo de vários candidatos clamarem por Passos Coelho, o governante mais contestado por um amplo sector da sociedade portuguesa, no vergonhoso período da Tróika, e se mobilizou e uniu para as maiores manifestações! Agora, para estes candidatos, Passos Coelho é o salvador da pátria, o mito napoleónico que existindo poderia substituir, pelo menos, quatro candidatos! Estamos perante uma direita que, entre si, disputa a hegemonia colando-se aos seus símbolos desde Sá Carneiro a Passos Coelho ao mesmo tempo que se oferece como aliada do governo de Montenegro, que, nos últimos dias, já vimos como se ajoelha perante Trump.
Não podemos deixar de chamar a atenção para o facto de estas eleições decorrem num dos períodos mais complexos e perigosos da situação política internacional, confrontado com uma crise sistémica do imperialismo, com reflexos inevitáveis a nível nacional, até porque Portugal, através dos seus governantes se enfileirou num dos blocos beligerantes, vendendo a sua independência e obrigando os portugueses a participar de forma activa, e não apenas a nível económico, no conflito mundial que se prepara e avizinha.
Por seu lado, a comunicação social tem cumprido o seu papel de verdadeiro sustentáculo do sistema, colaborando e montando o espectáculo como se estivéssemos perante um campeonato de futebol ou corrida de obstáculos, não esclarecendo as verdadeiras propostas dos candidatos, quando existem, mas, antes, criando um verdadeiro clima de apostas, qual corrida de cavalos!
Quanto ao voto útil, já sabemos o que isso significa: é a tentativa desesperada de se eleger, quando sabem que estão em perigo de o não conseguirem. É a última manobra de “ comprometer o povo no seu consentimento prévio para com todos os actos praticados, mal sejam eleitos” objectivo, afinal, de todos os candidatos.
Se votar é um direito cívico, não votar não o é menos, quando nenhum dos candidatos apresenta um programa que dê garantias de defender os interesses da maioria do povo português, quando a dita democracia tem instrumentos e cria mecanismos económicos e comunicacionais para sufocar e impedir o desenvolvimento de um verdadeiro partido comunista, com a consequente supressão de um candidato próprio, quando se monta uma verdadeira campanha de difamação contra o comunismo, associando-lhe, por exemplo, oligarcas como Putin, numa ignóbil tentativa de confundir e mergulhar na ignorância o povo português para o manipular mais facilmente.
Não votar é rejeitar compromissos com actos ocultos no futuro!
Não votar é não pactuar com a mascarada eleitoral presidencial!
Não votar é também um direito e um acto revolucionário!