Na Ribeira Seca, na ilha de São Jorge, os bailes tradicionais continuam a representar uma importante forma de convívio e preservação da cultura local.
A Sociedade União Popular da Ribeira Seca promove regularmente noites dedicadas ao baile regional e aos tradicionais bailes de roda, reunindo diferentes gerações em torno da música e da dança açorianas.
Nestes encontros recuperam-se modas tradicionais, entre as quais a conhecida Tirana, acompanhada por outros ritmos, passos e momentos de desgarrada característicos da tradição musical do arquipélago.
Mais do que simples espetáculos, estas iniciativas constituem espaços de transmissão da memória coletiva. É através da participação da comunidade que gestos, músicas e coreografias permanecem vivos e continuam a ser transmitidos aos mais novos.
Também a Ribeira Seca do concelho da Ribeira Grande, na ilha de São Miguel, possui uma forte ligação às festividades populares.
No final de junho, as Festas de São Pedro assumem particular destaque, integrando desfiles e marchas populares que mobilizam a população e levam às ruas música, cor e criatividade.
Entre essas manifestações encontra-se a tradicional marcha dos Cabidinhos, associada às celebrações locais.
Outro dos elementos emblemáticos são as Cavalhadas de São Pedro, tradição que, embora não corresponda a um baile ou dança de salão, integra de forma marcante o património cultural e festivo da freguesia.
Os cavaleiros, os trajes, os animais ornamentados e todo o ritual associado às Cavalhadas transformam a celebração num momento de forte simbolismo comunitário e numa das expressões culturais mais características da região.
A presença destas expressões culturais açorianas na Festa do Avante permite levar para fora do arquipélago uma parte importante da identidade das ilhas.
Num tempo em que muitas tradições populares enfrentam o risco de desaparecer ou de se transformar apenas em memória, os bailes, as marchas, a música e as festividades da Ribeira Seca demonstram que a cultura tradicional permanece viva quando existe uma comunidade disposta a praticá-la, celebrá-la e transmiti-la.
Dos bailes de roda de São Jorge às festas e Cavalhadas de São Miguel, os Açores mostram que a tradição não pertence apenas ao passado.
Continua a dançar-se, a cantar-se e a celebrar-se no presente.