Em muitos casos, essas comunidades são vistas como grupos organizados que controlam determinados ramos comerciais, funcionando quase como estruturas monopolistas ou oligopolistas informais. Em Angola e Moçambique existem fenómenos semelhantes associados a determinados grupos empresariais estrangeiros, frequentemente ligados a comunidades libanesas, malianas ou outros grupos muçulmanos com forte presença comercial.
Na África do Sul, especialmente em cidades como Johannesburg e zonas como Soweto, os principais alvos da hostilidade popular têm sido comunidades oriundas da Nigéria, do Zimbabwe e de outros países africanos. Em diversos episódios anteriores, comerciantes estrangeiros foram expulsos de bairros inteiros, e os sinais indicam que a tensão continua latente.
Felizmente, angolanos, moçambicanos e outras nacionalidades lusófonas não têm sido os principais alvos desta onda de violência xenófoba. Ainda assim, ignorar os sinais seria um erro perigoso.
Se os governos continuarem a aprofundar o empobrecimento das populações, como muitos acusam acontecer em países governados há décadas pelos mesmos partidos políticos, corre-se o risco de assistir ao nascimento de fenómenos semelhantes em outras geografias africanas. Quando famílias vivem em desespero económico, desemprego persistente e humilhação social, cresce inevitavelmente a procura de culpados visíveis.
A História demonstra que sociedades profundamente desiguais tornam-se terreno fértil para o ressentimento coletivo. Quando os cidadãos começam a acreditar que são sistematicamente excluídos da distribuição da riqueza nacional enquanto determinados grupos prosperam, instala-se uma perceção explosiva de injustiça.
Mais cedo ou mais tarde, surge o grito social: basta.
Os governos nacionais precisam compreender que nenhum país consegue manter estabilidade social duradoura quando a maioria da população sente que perdeu dignidade, esperança e acesso justo às oportunidades económicas.
Governar exige visão estratégica, justiça social e capacidade de proteger primeiro os cidadãos nacionais sem transformar essa proteção em ódio contra estrangeiros. O desafio político está precisamente aí: construir economias inclusivas sem alimentar nacionalismos violentos ou discursos de exclusão.
Porque nenhuma economia sobrevive sem trabalhadores. Nenhuma empresa existe sem quem produza, construa, transporte, limpe, venda e faça funcionar diariamente o país.
Neste Dia Internacional do Trabalhador, a reflexão torna-se ainda mais urgente.
“A injustiça em qualquer lugar é uma ameaça à justiça em todo o lado.” — Martin Luther King Jr.
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