Carlos Louro, presidente da Associação Nacional de Dirigentes Escolares (ANDE), confirma a falta de profissionais: "São aquelas situações que toda a gente fala, da falta de professores, embora tenhamos sentido neste arranque do ano também algum efeito na rapidez das substituições por força das medidas que foram tomadas por parte do Governo. Falta de pessoal não docente, que continua a acontecer, são duas classes que são fundamentais dentro do sistema educativo e que, por razões de idade e de notarem já algumas situações até de saúde, criam problemas na substituição.”
O secretário-gera da Federação Nacional de Educação (FNE), Pedro Barroso, fala de um problema grave que o Governo não está a conseguir resolver.
"Não estão a resolver, ponto final, parágrafo. Estão apenas a mitigar o problema. E é por isso que importa definir e estabelecer um calendário para medidas de impacto imediato, ou seja, ações de curto prazo, medidas que pretendam, num espaço temporal de quatro ou cinco anos, resolver parte deste problema, e medidas a uma década. Porque nós sabemos, e foi esse mapa e esse levantamento que fizemos, que nós vamos ter, até 2034/2035, a necessidade de mais de cinco mil professores do primeiro ciclo. Vamos ter a necessidade de mais de quatro mil professores educadores de infância. Vamos ter necessidade de cerca de 3700 professores de Português do terceiro ciclo e secundário, 2300 de Matemática, 2100 de educação especial e 2100 de Português do segundo ciclo, e por aí fora", revela.
Ensino especial é "parente pobre da educação"
No caso do apoio aos alunos com necessidades específicas, o presidente da ANDE confirma que há problemas.
"Apesar do grande esforço que houve na colocação de técnicos para outras funções nos concursos que concluíram agora no arranque do ano letivo, continuamos nas escolas a registrar falta de técnicos, porque continuamos a receber cada vez mais alunos oriundos de outros países com outras culturas, com outras formas de ser e de estar, que têm que ser integrados na nossa cultura. Continuamos a ter um acréscimo de situações, até porque há hoje em dia muito maior cuidado na identificação, no diagnóstico e na definição de medidas a implementar de alunos com dificuldades específicas e continuamos a ter necessidade de ter mais técnicos, mais pessoas para fazer esse acompanhamento. E hoje essa responsabilidade está nas escolas", refere Carlos Louro.
Filinto Lima vai mais longe nas críticas: "A educação especial, de há muitos anos a esta parte, não é só de agora, é o parente pobre da educação. Ou seja, nós cada vez temos mais alunos sinalizados com necessidades específicas, e cada vez temos menos professores na educação especial. São precisos mais recursos humanos, mais assistentes operacionais com a respectiva formação e mais terapeutas."
O presidente da Confederação Nacional das Associações de Pais (Confap), José Miguel Antunes, diz que o problema não é de hoje.
"Aquilo que a Confap quer e que os pais querem é que os problemas sejam efetivamente resolvidos. E aquilo que às vezes nos parece é que se anda à procura de onde é que está o problema e de quem criou o problema e não do lado da solução. Aquilo de que as famílias precisam é de soluções, e não de que se encontrem os problemas. Aquilo que também nos parece é que muitas vezes são criadas as leis, são criados os regulamentos antes da criação das condições para a aplicação dos mesmos. E, no caso das crianças com necessidades específicas, parece-nos que é isso um bocadinho que acontece. Ou seja, foi criada a lei antes de dar condições às escolas para receber as crianças", afirma.
Para Lourenço Santos, dirigente da associação Movimento Inclusão Efetiva, a escola pública não dá resposta a estas crianças: "Ao dia de hoje, temos ainda crianças que não são colocadas, temos crianças que não têm os recursos que estão estabelecidos, portanto, de facto, o Ministério, neste momento, não está a assegurar ainda tudo o que as crianças têm direito. Depois temos todos os outros que já são amplamente conhecidos e divulgados, nomeadamente no que toca à falta de recursos, não só a falta de professores, como também a falta de recursos. Falta de terapeutas, falta de psicólogas, falta de professores de ensino especial. Tudo isso continua ainda em falta.”