Felicito o Cikale pela analise realista e atenta que faz,sobre o ecossistemaeconomico dos nossos países africanos com destaque aos de Angola , apesar de ser repetitiva , pois não é a primeira nem se calhar será a última .
Muitos de nós, consultores nacionais e internacionais ja fizemos varios estudos de campo e dizemos e escrevemos quase a mesma coisa. Mas , poucos de nós aprentamos sugestões suficientemente fortes , para mobilizar os agentes econômicos a fazer mudanças e introduzir correções na sua forma arcaica de interpretar fenômenos e fazer boa gestão de empresas, de negócios e de instituições públicas.
As poucas recomendações que alguns de nós apresentam ou publicam quase sempre , nao sao tidas nem achadas pelos gestores públicos e pasmem-se pelos privados , que se ostentam como sendo empresários ou empreendedores, mas de boa gestão , entendem e fazem muito pouco. As poucas excepçoes que surgem aqui e acola , apenas cinfirmam essa triste e decepcionante regra geral. Nao se preocupam , nem querem saber de estudos de viabilidade tecnico- economica e muito menos de planos de negocios, já para não falar de " break even point " . Confundem custos com despesas, receitas de vendas com lucro ... enfim .
E um " debruiez -vous" ( desenrasquem- se ) enquanto podem , seja no sector formal ou no informal, na candonga onde tb não é fácil os negócios sobreviverem de forma sustentada e lucrativa, por muito tempo . O que fazer? Eis a grande questão. Este autor ( Cikale), aponta apenas , os factores estruturais do costume , esqueceu-se dos fatores conjunturais e culturais. Os nossos usos e costumes retrogrados ao desenvolvimento empresarial.
Deixa- me citar apenas 2 ou 3 .
(1)- O absentismo ( por causa/ através, da chuva + do obito da mãe ou do pai ou dos tios , filhos , irmãos etc.( as taxas de mortalidade em Angola são altíssimas) .
(2 ) - Os excessivos feriados e tolerâncias de ponto
(3) - A problemática dos transportes públicos ;
(4) - Os pequenos mas frequentes roubos e
((5)- Last but not the least, a frequente interferência da fiscalização. Todos querem inspeccionar as pequenas e medias empresas para apenas atrapalhar e " sacar " algumas gordas gorjetas. Cada um deles leva a sua " gasosa " ou seja " penteia" ou chula dinheiro de quem está a produzir e fazer negócio, e para terminar , ainda temos o tal imposto+ taxas ( fiscalidade predadora do proprio Estado/ AGT.
Enfim, tudo isso por junto e atacado é algo irritante e desmotivante . Coisa para dizer :- O Estado atrapalha a produção e a produtividade nacional e sobre competitividade , nem vale a pena falar ( pois näo existe, por isso nao se ve (nem nas estatisticas oficiais) .
O mercado informal obstaculiza e prejudica a concorrencia que deve ser livre e e dinamica e o proprio Governo, para alem de "caçumbular" o pouco dinheiro, destinado a créditos bancários ( á economia real) ,ainda asfixia mais o tecido empresarial, com os seus estranhos ajustes directos de milionarias empreitadas a favor quase sempre das mesmas poucas privilegiadas empresas e assim sendo, acelera o funeral da economi real, cabendo o cheque mate, ao nepotismo partidarizado do emprego e a generalizada falta de cultura de trabalho e de respeito às leis laborais (sindicais etc) surge nas greves e manifestações, para chorar o óbito da tal economia diversificada de mercado de que os governantes tanto falam e prometem , mas, na realidade, anda mais morta do que viva .
Coisa para dizer :- Andamos anos após anos ( décadas atrás de décadas)de komba em komba ou seja de cemitérios a cemitérios estes , sempre a crescerem, seja de empresas, seja de trabalhadores).
Enfim ... para bom entendedor ... morremos todos cada vez mais ( empresas e famílias) enquanto o Executivo, continua entretido a faturar na sua fiscalidade gananciosa, nas comissões das várias contratações por ajuste directo e nas comissões sobre as importações e consequentemente , a enriquecer a sua " entourage" ( os seus) , sempre no Poder , sem um modelo de Rumo claro e desenvolvimentista, com pouca autoridade moral e a reduzida competência que a boa governação universalmente recomenda .
Temos um Executivo firme na partidarização do Estado nas frouxo, no real empodeiramento das empresas e das famílias angolanas .
Enfim... Xaleno kiambote nhi mahezu ma kidi. Fiquem bem com a sabedoria da verdade.
____
Fernando Heitor ( Economista, Consultor e formador Internacional) .
Luanda, 24 Março2026