Antonio Costa insiste que so o direito internacional pode defender as liberdades fundamentais num iscurso na Conferência de Embaixadores da UE, onde Costa alertou que a Rússia é a "única vencedora" na guerra do Oriente Médio, obtendo recursos para financiar sua invasão da Ucrânia enquanto a atenção global se desvia.

O presidente do Conselho Europeu, António Costa, fez uma avaliação contundente do conflito no Médio Oriente argumentando que o caminho para a liberdade dos iranianos não reside em bombardeios, mas sim na adesão ao direito internacional.

Antonio Costa expressou solidariedade ao "povo iraniano que tanto sofre", ao mesmo tempo que rejeitou firmemente soluções militares para alcançar os objetivos de direitos humanos.

O direito internacional, e não as bombas, protege os direitos.

"Acreditamos que os direitos humanos e as liberdades devem ser plenamente respeitados, mas a liberdade e os direitos humanos não podem ser alcançados por meio de bombas. Somente o direito internacional os garante", afirmou Costa, numa crítica contundente à campanha militar conjunta dos EUA e de Israel contra o Irão.

O presidente do Conselho Europeu pediu moderação e alertou contra uma escalada ainda maior, enfatizando que a proteção de civis e a garantia da segurança nuclear continuam sendo prioridades essenciais em meio ao conflito crescente.

Antonio Costa apresentou uma análise sóbria das consequências geopolíticas do conflito, declarando: "Até agora, só há um vencedor nesta guerra: a Rússia". Ele detalhou como Moscovo  obtém múltiplas vantagens com a crise no Oriente Médio: "Obtém novos recursos para financiar sua guerra contra a Ucrânia à medida que os preços da energia aumentam. Lucra com o desvio de capacidades militares que poderiam ter sido enviadas para apoiar a Ucrânia e se beneficia da menor atenção dada à frente ucraniana, enquanto o conflito no Médio Oriente ganha destaque". A avaliação ressalta a preocupação europeia de que a guerra com o Irão esteja a minar a defesa da Ucrânia contra a agressão russa.

Os efeitos colaterais economicos ameaçam a estabilidade global.

O representante da UE também destacou as graves implicações economicas do conflito, observando que interrupções como o bloqueio do estratégico Estreito de Ormuz poderiam ter efeitos devastadores nos mercados globais.

Alias as suas observações refletem a crescente preocupação europeia de que as consequências economicas da guerra, particularmente a volatilidade dos preços da energia, agravarão os desafios já enfrentados pelo continente.

Antonio Costa abordou  a mudança na ordem global, alertando que "o mundo multipolar emergente exige soluções multilaterais, em vez de esferas de influência onde a política de poder substitui o direito internacional".

Numa linguagem incomumente direta, ele caracterizou o atual cenário geopolítico: "Uma realidade em que a Rússia viola a paz, a China perturba o comércio e os Estados Unidos desafiam a ordem internacional baseada em regras".

O presidente do Conselho Europeu reconheceu que a UE às vezes tem dificuldades para reagir rapidamente às crises, mas insistiu que o bloco deve aprender com a experiência passada para responder de forma mais eficaz a situações urgentes.