O projeto de lei foi apresentado pelo então deputado federal Victório Galli (MT) e acabou arquivado em 2008.

Galli, ligado à bancada evangélica, disputou uma vaga na Câmara em 2018 pelo PSL, partido pelo qual Jair Bolsonaro concorreu à Presidência naquele ano.

O político mantém registros públicos de proximidade com a família Bolsonaro, incluindo fotografias ao lado de Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro e Michelle Bolsonaro.

Atualmente, Victório Galli é candidato a deputado federal pelo Progressistas (PP) em Mato Grosso e apoia a candidatura de Flávio Bolsonaro à presidência.

Embora o projeto não tenha sido de autoria de Flávio Bolsonaro, a proposta voltou a circular durante a atual campanha  eleitoral dada a proximidade política do senador com setores evangélicos e de suas declarações sobre a relação entre fé cristã e Estado.

A polemica acontece num momento em que setores da Igreja Católica brasileira vdedenvolvem manifestações sobre a importância da participação política, da democracia, da pobreza e da soberania nacional.

Nos últimos dias, dioceses e bispos divulgaram orientações aos fiéissobre critérios para o voto, defendendo temas como defesa dos mais pobres, justiça social, proteção ambiental e compromisso com o bem comum.

Uma cartilha distribuída pela Diocese de São João da Boa Vista (SP) apresentou princípios cristãos para a escolha de representantes, sem citar candidatos ou partidos.

O documento gerou reação de apoiantes do campo bolsonarista, que acusam  a iniciativa como uma orientação política favorável à esquerda.

Também ganhou repercussão a  intervenção do arcebispo emérito de Aparecida, Dom Orlando Brandes, durante uma celebração na Basílica Nacional.

Sem declarar apoio a candidato ou partido, o religioso defendeu que os brasileiros escolham seus representantes pensando no bem comum.

Acentuou que nenhum poder estrangeiro deve interferir nos rumos do país.

A manifestação foi associada por setores ligados ao governo Lula ao discurso de soberania nacional defendido pelo presidente, especialmente diante das tensões envolvendo os Estados Unidos de Donald Trump.

O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Jaime Spengler, afirmou nesta semana que a Igreja Católica não declara preferência por candidatos ou partidos e criticou a mistura entre religião e política.

A discussão sobre Nossa Senhora Aparecida  integra uma disputa mais ampla sobre o papel da religião na política brasileira nas  vésperas da eleição presidencial.