Brasília será palco de um dos mais relevantes encontros económicos internacionais de 2026 com a realização do II Fórum de Investimentos Brasil–União Europeia, iniciativa organizada pela ApexBrasil e pela União Europeia, em colaboração com o Centro Brasileiro de Relações Internacionais (CEBRI).

O evento reunirá representantes governamentais, empresários, instituições financeiras, organismos multilaterais e especialistas dos dois lados do Atlântico para discutir o futuro das relações económicas entre o Brasil e a União Europeia.

Num cenário global marcado por tensões geopolíticas, reconfiguração das cadeias de abastecimento, desafios climáticos e crescente digitalização da economia, o Fórum surge como uma plataforma estratégica para aprofundar a cooperação bilateral e promover investimentos sustentáveis de longo prazo.

Mercosul–União Europeia no centro das atenções

A sessão de abertura será dedicada ao papel do Acordo Mercosul–União Europeia, considerado por muitos analistas como um dos maiores acordos comerciais do mundo.

Com um mercado potencial superior a 700 milhões de consumidores e representando cerca de um quarto da economia mundial, o acordo poderá criar novas oportunidades de exportação, inovação tecnológica e atração de investimento estrangeiro para os países envolvidos.

A abertura contará com a presença do Vice-Presidente brasileiro Geraldo Alckmin, do Comissário Europeu para Parcerias Internacionais Jozef Síkela, além de representantes da ApexBrasil, do Governo brasileiro e do CEBRI.

Energia limpa e bioeconomia lideram agenda de crescimento

Um dos temas centrais do encontro será a transição energética.

Brasil e União Europeia procuram posicionar-se como parceiros estratégicos no desenvolvimento de energias renováveis, hidrogénio verde, biocombustíveis avançados e soluções de descarbonização industrial.

A agenda inclui ainda debates sobre bioeconomia, inovação tecnológica, financiamento sustentável e novos modelos de desenvolvimento capazes de conciliar crescimento económico com proteção ambiental.

Especialistas destacam que o Brasil possui vantagens competitivas únicas neste domínio, graças à abundância de recursos naturais, matriz energética relativamente limpa e potencial para produção de combustíveis sustentáveis.

Digitalização e infraestruturas inteligentes

Outro dos eixos prioritários do Fórum será a transformação digital.

Empresas e decisores políticos irão discutir oportunidades em áreas como:

  • Infraestruturas digitais;
  • Economia dos dados;
  • Inteligência Artificial;
  • Conectividade;
  • Logística inteligente;
  • Transportes sustentáveis.

A participação de grandes grupos empresariais, como a Embraer, TIM, Acciona, ENEL e outras multinacionais europeias e brasileiras, demonstra o interesse crescente em projetos que combinam tecnologia, sustentabilidade e integração económica.

Minerais críticos tornam-se ativos estratégicos

A crescente procura global por lítio, níquel, grafite, cobre e terras raras transformou os minerais críticos num dos temas mais importantes da geopolítica contemporânea.

A sessão dedicada a esta matéria irá explorar formas de cooperação entre Brasil e União Europeia para garantir cadeias de abastecimento mais resilientes e sustentáveis, fundamentais para a produção de baterias, veículos elétricos, energias renováveis e equipamentos tecnológicos.

O debate contará com representantes do Banco Nacional de Desenvolvimento Económico e Social (BNDES), do Ministério das Minas e Energia do Brasil, da indústria mineira e de instituições financeiras europeias.

Global Gateway procura alternativa sustentável

O Fórum enquadra-se também na estratégia europeia Global Gateway, iniciativa da União Europeia destinada a mobilizar centenas de milhares de milhões de euros em investimentos globais em infraestruturas sustentáveis, energia limpa, digitalização e conectividade.

Para Bruxelas, o Brasil surge como um parceiro prioritário na América Latina, não apenas pela dimensão da sua economia, mas também pelo seu papel estratégico na agenda climática e na segurança das matérias-primas críticas.

Cooperação para um novo ciclo económico

Ao longo do dia serão apresentadas recomendações para melhorar o ambiente regulatório, aumentar a previsibilidade jurídica e criar mecanismos financeiros que facilitem a expansão dos investimentos bilaterais.

O encontro encerrará com uma reflexão sobre os próximos passos da parceria económica entre Brasil e União Europeia, numa altura em que ambas as regiões procuram fortalecer a sua autonomia estratégica sem abdicar da cooperação internacional.

Mais do que um fórum empresarial, o evento pretende afirmar-se como um espaço de construção de uma visão comum para o desenvolvimento sustentável, a inovação tecnológica e a prosperidade partilhada.

Um sinal político e económico

A realização do II Fórum de Investimentos Brasil–União Europeia representa um sinal claro de que, apesar das incertezas globais, as duas regiões pretendem aprofundar uma relação baseada em confiança, previsibilidade e interesses convergentes.

Se os compromissos anunciados forem concretizados, o encontro poderá tornar-se um marco importante na consolidação de um dos mais ambiciosos corredores de investimento, comércio e inovação do mundo contemporâneo.

Fontes: ApexBrasil, União Europeia, CEBRI, Comissão Europeia, Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços do Brasil.

Subscreva o jornal e acompanhe a atualidade internacional, económica e geopolítica