Há um ano, os consumidores conseguiam comprar os mesmos produtos por menos 11,34 euros. E, quando a monitorização começou, a 5 de janeiro de 2022, o cabaz custava menos 63,59 euros, o que corresponde a uma subida acumulada de 33,88%.
A queda do valor total também não significa que todos os alimentos tenham ficado mais baratos. Alguns registaram aumentos muito acima da inflação média.
Os brócolos foram o produto que mais encareceu durante a semana, com uma subida de 12%, para um preço médio de 3,40 euros. O café torrado moído aumentou 10%, atingindo 4,93 euros, enquanto o pão de forma sem côdea ficou 9% mais caro, passando para 2,55 euros.
Quando a comparação é feita com julho de 2025, a couve-coração surge como o produto com o maior aumento, subindo 27% para 1,72 euros. Seguem-se o bacalhau graúdo, que encareceu 24% para 19,22 euros por quilograma, e a perca-do-Nilo, cujo preço aumentou 23%, fixando-se nos 12,21 euros por quilograma.
Os números tornam-se ainda mais expressivos quando se recua até janeiro de 2022. A carne de novilho para cozer mais do que duplicou de preço: subiu 123% e custa agora 12,96 euros por quilograma. O bacalhau graúdo acumula uma valorização de 81% e os ovos estão 76% mais caros, com um preço médio de 2,01 euros.
Desde o início de 2026, as maiores subidas percentuais verificaram-se no arroz carolino, com mais 30%, na dourada, com mais 25%, e no peixe-espada-preto, com um aumento de 19%.
Estes dados mostram por que razão a descida da inflação nem sempre é imediatamente reconhecida pelas famílias. A inflação mede o ritmo a que os preços estão a aumentar. Quando abranda, não significa necessariamente que os preços regressaram aos valores anteriores. Significa apenas que estão a subir mais lentamente ou, em determinados momentos, a estabilizar.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a inflação homóloga em Portugal fixou-se em 3,2% em junho de 2026, ligeiramente abaixo dos 3,3% registados em maio. Nos produtos alimentares não transformados, que incluem carne, peixe, fruta e legumes, a taxa abrandou de 5,7% para 5,2%. Apesar dessa desaceleração, continuou claramente acima da inflação geral.
A DECO PROteste calcula semanalmente o custo do cabaz através dos preços recolhidos nos principais supermercados com loja online. Primeiro é apurado o preço médio de cada produto nas lojas onde se encontra disponível e, depois, somam-se os valores dos 63 bens monitorizados. A cesta inclui carne, peixe, frutas, legumes, laticínios, congelados e produtos de mercearia.
Este método permite acompanhar rapidamente as oscilações do mercado, mas o valor não representa necessariamente o que cada família paga. O custo efetivo depende da região, do supermercado escolhido, das marcas, das promoções disponíveis e dos hábitos de consumo de cada agregado.
A descida semanal de 5,17 euros é relevante. Não apaga, contudo, quatro anos e meio de aumentos acumulados nem impede que alguns produtos essenciais continuem a encarecer a um ritmo muito superior ao rendimento de muitas famílias. Para o consumidor, a realidade não está apenas no valor total do cabaz. Está também nos produtos concretos que precisa de colocar à mesa.
Dados atualizados em 22 de julho de 2026.