O preço do cabaz alimentar monitorizado pela DECO PROteste registou, entre 15 e 22 de julho, a maior descida semanal desde o início de 2026. O conjunto de 63 produtos essenciais ficou 5,17 euros mais barato, uma redução de 2,02%, passando a custar 251,29 euros.

É uma descida significativa, mas que deve ser interpretada com algum cuidado. O valor do cabaz já não se encontrava tão baixo desde janeiro, mas continua 9,46 euros mais caro do que na primeira semana deste ano.

Há um ano, os consumidores conseguiam comprar os mesmos produtos por menos 11,34 euros. E, quando a monitorização começou, a 5 de janeiro de 2022, o cabaz custava menos 63,59 euros, o que corresponde a uma subida acumulada de 33,88%. 

A queda do valor total também não significa que todos os alimentos tenham ficado mais baratos. Alguns registaram aumentos muito acima da inflação média.

Os brócolos foram o produto que mais encareceu durante a semana, com uma subida de 12%, para um preço médio de 3,40 euros. O café torrado moído aumentou 10%, atingindo 4,93 euros, enquanto o pão de forma sem côdea ficou 9% mais caro, passando para 2,55 euros. 

Quando a comparação é feita com julho de 2025, a couve-coração surge como o produto com o maior aumento, subindo 27% para 1,72 euros. Seguem-se o bacalhau graúdo, que encareceu 24% para 19,22 euros por quilograma, e a perca-do-Nilo, cujo preço aumentou 23%, fixando-se nos 12,21 euros por quilograma.

Os números tornam-se ainda mais expressivos quando se recua até janeiro de 2022. A carne de novilho para cozer mais do que duplicou de preço: subiu 123% e custa agora 12,96 euros por quilograma. O bacalhau graúdo acumula uma valorização de 81% e os ovos estão 76% mais caros, com um preço médio de 2,01 euros. 

Desde o início de 2026, as maiores subidas percentuais verificaram-se no arroz carolino, com mais 30%, na dourada, com mais 25%, e no peixe-espada-preto, com um aumento de 19%.

Estes dados mostram por que razão a descida da inflação nem sempre é imediatamente reconhecida pelas famílias. A inflação mede o ritmo a que os preços estão a aumentar. Quando abranda, não significa necessariamente que os preços regressaram aos valores anteriores. Significa apenas que estão a subir mais lentamente ou, em determinados momentos, a estabilizar.

Segundo o Instituto Nacional de Estatística, a inflação homóloga em Portugal fixou-se em 3,2% em junho de 2026, ligeiramente abaixo dos 3,3% registados em maio. Nos produtos alimentares não transformados, que incluem carne, peixe, fruta e legumes, a taxa abrandou de 5,7% para 5,2%. Apesar dessa desaceleração, continuou claramente acima da inflação geral. 

A DECO PROteste calcula semanalmente o custo do cabaz através dos preços recolhidos nos principais supermercados com loja online. Primeiro é apurado o preço médio de cada produto nas lojas onde se encontra disponível e, depois, somam-se os valores dos 63 bens monitorizados. A cesta inclui carne, peixe, frutas, legumes, laticínios, congelados e produtos de mercearia.

Este método permite acompanhar rapidamente as oscilações do mercado, mas o valor não representa necessariamente o que cada família paga. O custo efetivo depende da região, do supermercado escolhido, das marcas, das promoções disponíveis e dos hábitos de consumo de cada agregado.

A descida semanal de 5,17 euros é relevante. Não apaga, contudo, quatro anos e meio de aumentos acumulados nem impede que alguns produtos essenciais continuem a encarecer a um ritmo muito superior ao rendimento de muitas famílias. Para o consumidor, a realidade não está apenas no valor total do cabaz. Está também nos produtos concretos que precisa de colocar à mesa.

Dados atualizados em 22 de julho de 2026.