Por Joffre Justino | Diretor do Jornal Estrategizando

 

Num mundo progressivamente marcado pela erosão das instituições, pelo populismo e pelo afastamento crescente entre quem governa e quem é governado, Cabo Verde continua a afirmar-se como uma referência singular de maturidade democrática. Não por acaso. Mas por escolha coletiva, por cultura cívica sedimentada e por uma arquitetura institucional que o país tem sabido preservar com rigor e dignidade.

Antes de qualquer análise dos resultados eleitorais, impõe-se um reconhecimento que transcende a política partidária: o papel decisivo de Sua Excelência o Presidente da República, Dr. José Maria Neves, na preservação da coesão institucional do Estado cabo-verdiano. Enquanto garante da Constituição e símbolo da unidade nacional, o Presidente tem exercido a sua magistratura com equilíbrio, sentido de Estado e uma autoridade moral que reforça a credibilidade do processo democrático.

É essa solidez que permite a Cabo Verde continuar a ser um exemplo para a CPLP, para África e para além das suas fronteiras.

Ao Dr. Francisco Carvalho, futuro Primeiro-Ministro da República de Cabo Verde, o Jornal Estrategizando endereça as suas mais sinceras felicitações pela vitória alcançada nestas eleições legislativas. Mais do que um resultado político, trata-se do início de uma responsabilidade histórica: liderar um povo resiliente, criativo e profundamente comprometido com o projeto de um país mais justo, mais desenvolvido e mais inclusivo.

Governar Cabo Verde em 2026 é uma tarefa que exige tanto visão como coragem. Os desafios são conhecidos e não são menores: gerar oportunidades reais para uma juventude talentosa mas frequentemente confrontada com a emigração como única saída; fortalecer uma economia vulnerável às dinâmicas globais; consolidar a justiça social; dar resposta às crescentes exigências da transição ambiental; e, talvez o mais estruturante de todos, transformar o crescimento dos indicadores macroeconómicos em desenvolvimento efetivamente sentido pelas famílias cabo-verdianas.

Mas governar Cabo Verde é também uma oportunidade rara e singular. O país reúne condições únicas para construir um modelo africano de desenvolvimento sustentável, ancorado no conhecimento, na diáspora, no capital humano, na boa governação e numa identidade cultural que é, por si mesma, um ativo estratégico. O arquipélago tem o que muitos países maiores não têm: uma narrativa de país capaz de inspirar, de seduzir e de mobilizar.

O Jornal Estrategizando acompanha com profundo respeito e entusiasmo o percurso democrático cabo-verdiano. Fazemo-lo porque reconhecemos em Cabo Verde um exemplo de democracia plural, participativa e institucionalmente madura, capaz de demonstrar que pequenos países podem produzir grandes exemplos de governação. E fazemo-lo também porque nos revemos nos valores que orientam este percurso: democracia, justiça social e desenvolvimento partilhado.

É nossa convicção que o Governo liderado pelo Dr. Francisco Carvalho terá diante de si uma missão decisiva: transformar esperança em resultados concretos e tangíveis. A verdadeira liderança política mede-se precisamente por essa capacidade — de mobilizar uma visão coletiva, de unir sensibilidades diversas e de criar as condições para que cada cidadão sinta, no quotidiano, que o país também lhe pertence.

Ao mesmo tempo, seria profundamente injusto — e democraticamente desonesto — não reconhecer o legado de quem liderou Cabo Verde durante a última década.

Ao Dr. Ulisses Correia e Silva, o Jornal Estrategizando endereça uma palavra de reconhecimento institucional pelo contributo dado à estabilidade política, à credibilidade externa e à construção das condições que tornaram possível este momento de transição ordeira e respeitosa. Independentemente das divergências que, em qualquer democracia saudável, sempre existirão, importa afirmar com clareza: a estabilidade institucional é um ativo estratégico de primeira ordem. Não se herda — constrói-se. E os últimos anos demonstraram que Cabo Verde soube construí-la.

É precisamente isso que distingue as democracias maduras das democracias frágeis: a capacidade de reconhecer méritos além das fronteiras partidárias, de respeitar as transições com dignidade e de compreender que o desenvolvimento de uma nação é sempre uma construção coletiva, que atravessa governos, legislaturas e gerações.

Mais do que vencedores e vencidos, Cabo Verde necessita agora de uma visão verdadeiramente mobilizadora. Uma visão que una Governo e oposição, Estado e sociedade civil, setor público e privado, juventude e diáspora em torno de objetivos nacionais partilhados: desenvolvimento sustentável, inovação, educação, empreendedorismo e valorização do talento cabo-verdiano onde quer que ele esteja no mundo.

O Jornal Estrategizando reafirma a sua disponibilidade para contribuir, através da comunicação, do pensamento estratégico e da promoção da participação cidadã, para todos os esforços que elevem Cabo Verde a novos patamares de desenvolvimento humano.

Porque as democracias não vivem apenas de eleições.

Vivem de visão. De diálogo. De memória e de projeto. Da capacidade de colocar o interesse nacional acima de qualquer diferença conjuntural.

E Cabo Verde — esse pequeno e extraordinário país do Atlântico — merece continuar a ser um farol de esperança no espaço lusófono.

 

Joffre Justino Diretor do Jornal Estrategizando