Crónica

Hoje acordei assim: sem vernizes, sem paciências e sem a hipocrisia que alguns tratam como perfume caro. A verdade, essa velha teimosa, não precisa de simpatia — precisa de ser dita, escrita e assumida. E eu, que não sou dado a ilusões, sei que todos acabaremos no mesmo sítio: democratas, patriotas, ateus, marxistas e até os que passam a vida a fugir de rótulos como quem foge da chuva.

Enquanto isso não acontece, resta-nos a luta — dura, prolongada e cheia de gente que só aparece para a fotografia. Há quem viva como se fosse eterno, mas eu prefiro o café forte e a lucidez amarga: acordam melhor do que muitos discursos de Ano Novo. A verdade é que desistir é um luxo reservado aos que acreditam em milagres; eu, ateu e marxista, fico-me pela teimosia e pela palavra escrita, que dói mais do que muita moral de bolso.

2026 começa assim: com o mundo a ferver na chávena, a caneta pousada como arma e a certeza de que a liberdade não se defende com meias-tintas. Hoje estou assim — e amanhã talvez pior. Mas sempre verdadeiro.

Aforismos que ficam a ecoar:

A hipocrisia envelhece bem; eu é que já não a tolero.

A luta é longa; a desistência é curta.

Por hoje é tudo; amanhã depende da IA/Meta

Depende do V/IA; Café Com Aires, apoio gráfico da IA