até ser substituída por outra indignação igualmente urgente, igualmente efémera, igualmente inútil.
O champanhe morno, por sua vez, é a nossa vocação para celebrar antes de tempo. Somos especialistas em inaugurar obras que ainda cheiram a cimento fresco, em cortar fitas de projetos que não têm financiamento, em brindar ao futuro enquanto alguém, algures,
se esqueceu de pôr a garrafa no gelo. Mas brindamos na mesma — porque somos resilientes, teimosos e, acima de tudo, dotados de um humor que nos salva do desespero.
E no meio disto tudo, há sempre um momento para a ternura. Um brinde aos amigos que nos seguram quando o país parece um barco sem leme.
Uma música dos Delfins que toca na memória e nos lembra que já fomos mais jovens, mas nunca menos sonhadores.
Uma conversa com quem pensa o país com profundidade — como a Raquel Varela, que insiste em lembrar-nos que a história não é um álbum de fotografias, mas um campo de batalha onde se disputa o futuro!
Celebrar a vida, afinal, também é um ato político.
E escrever sobre ela — com humor, com ironia, com a leveza de quem sabe que a lucidez não precisa de ser pesada — é a forma que encontrei de continuar a resistir ao cinzento.
Por isso, enquanto o país decide se aquece o café ou arrefece o champanhe, eu fico aqui: a escrever, triste!
Porque entre o quase e o talvez, há sempre espaço para mais uma crónica...
“Café Com Aires, apoio gráfico da IA“