"As roturas verificadas nos concelhos de Montemor-o-Velho, Soure e Coimbra, para além de outras que eventualmente ainda não foram detetadas, têm que ser reparadas urgentemente, sem burocracias, de forma que a partir de meados de abril os agricultores possam já utilizar a água para as culturas de arroz e batata, e, em junho, para a cultura do milho", disse a associação em comunicado enviado à agência Lusa.
Segundo a associação, a "destruição das infraestruturas de rega e a inundação dos campos ameaçam a produção" no Baixo-Mondego, com "receios de perda" das campanhas de arroz, milho e batata, "estimando-se prejuízos elevados".
"A destruição de partes do canal de rega principal, que é a principal infraestrutura de rega dos agricultores do Vale do Mondego, põe em risco, em 2026, as culturas".
Entretanto o MUNDA – Movimento em defesa do Rio Mondego apelou hoje à Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Centro para organizar um congresso sobre o Mondego ainda este ano.
Segundo a associação, as recentes inundações evidenciaram “todas as fragilidades da gestão do território na bacia do maior rio inteiramente português, com enorme impacto nos recursos económicos e nas vidas de várias comunidades intermunicipais”.
A bacia hidrográfica do Mondego tem vindo a ser marcada pela “gravíssima erosão dos solos nas zonas antes florestadas, hoje incapacitados para a retenção de água”, e pelo “acentuado assoreamento em muitos troços do seu percurso”.
O Mondego demonstra ainda a “presença de centenas de outros cursos de água carentes de limpeza e ordenamento para fins úteis e erradamente emanilhados em zonas urbanas impermeabilizadas”, e apresenta “graves problemas de manutenção da obra que artificializou o seu leito final entre Coimbra e a foz”.
O movimento acrescentou que o problema das cheias do Mondego “não é de modo algum redutível à chamada Barragem de Girabolhos, antes apela a uma abordagem, planificação e investimento muito mais abrangentes e programados”.
O anúncio da construção de mais uma barragem “equivaleria a desperdiçar uma preciosa oportunidade para tratar o problema de uma forma global”, defendeu o MUNDA.
O MUNDA apelou assim à CCDRC, aos presidentes das câmaras e das juntas de freguesia, às universidades, politécnicos e comunidade científica, às associações ambientais e cívicas, em geral, para que tomem nas suas mãos a organização de um congresso sobre o Mondego a realizar ainda no ano 2026.