No entanto, esse princípio, acrescentou o Dr. Mahmoudi, também deixa claro que a diversidade por si só não basta. Sem um senso de identidade compartilhada para ancorar uma sociedade diversa, a diferença pode se cristalizar em divisão.
O Reverendo Johnnie Moore, um dos palestrantes dos Estados Unidos, refletiu: “O que a presidência tem se esforçado para elucidar é que unidade não é uniformidade. Pertencer não exige a renúncia à identidade”. Ele descreveu o princípio da unidade na diversidade como algo que exige “uma coragem renovada” para ser colocado em prática, de modo que ilumine não apenas as vidas individuais, mas também as estruturas da sociedade global.
O Dr. Moore apontou para o que esse cenário exige daqueles que o navegam: clareza sobre o que está sendo construído. “A paz não é meramente a ausência de guerra”, continuou ele. “É a presença da justiça, a proteção dos direitos humanos e o estabelecimento da harmonia social”, afirmou.
Essa mesma convicção surgiu nas observações de Katrina Lantos Swett, educadora e presidente da Fundação Lantos para os Direitos Humanos, com sede nos Estados Unidos, que destacou uma metáfora para a unidade da humanidade extraída dos ensinamentos Bahá’ís. “De uma forma muito profunda, somos todos folhas nos galhos da mesma árvore”, disse ela.
Outro participante do painel, Sahib Naghiyev, Vice-Presidente do Comitê Estatal de Associações Religiosas da República do Azerbaijão, enfatizou as dimensões internacionais dessas questões. O ritmo das mudanças globais, observou ele, tornou a coexistência de diversos povos, línguas, culturas e religiões uma característica da vida que transcende fronteiras e exige cooperação. “Nosso mundo está se globalizando em um ritmo sem precedentes, dando origem a um novo cenário social, político e econômico”, afirmou.
Diversos participantes do painel apontaram a educação moral como fundamental para os esforços voltados à promoção de sociedades harmoniosas. Bartholomew Lumbasi, Adido de Educação da Embaixada do Quênia nos Estados Unidos, falou sobre os esforços de seu país para cultivar, juntamente com o aprendizado acadêmico, as qualidades morais que permitem aos jovens conviver e resolver conflitos de forma amigável. “Como se pode formar uma pessoa integral, desde a infância, capaz de abraçar a paz?”, questionou.
Ele destacou, em particular, os “clubes da paz” realizados em várias localidades do Quênia, que reúnem estudantes de diferentes origens e tensões para promover conversas contínuas — uma prática fundada, explicou, em uma convicção simples: “Se eles conversarem desde cedo, aprenderão a conviver”.
Socheat Oum, Chefe Adjunto da Missão da Embaixada Real do Camboja, falou sobre a confiança como algo construído pacientemente ao longo do tempo, muitas vezes através de histórias dolorosas. Ele lembrou que o Camboja, que já abrigou forças de paz das Nações Unidas após décadas de conflito, agora contribui com tropas para missões de paz em todo o mundo. Resolver tensões com os vizinhos, disse Oum, exige não o uso da força, mas sim a comunicação. “Sinceridade e confiança são essenciais para a continuidade da cooperação.”
A convicção que permeou a noite encontrou uma de suas expressões mais vívidas em uma lembrança compartilhada por Sohrab Sobhani, que falou em nome do embaixador do Bahrein nos Estados Unidos, Shaikh Abdulla Rashed Al Khalifa. O Dr. Sobhani recordou sua visita ao museu Beit Al Quran, no Bahrein, onde tapetes tecidos à mão de países de todo o mundo estão expostos. Os tapetes, disse ele, servem como um lembrete do “tecido que nos une a todos como seres humanos”.