A cidade de Lisboa prepara-se para acolher um novo capítulo de uma exposição que promete suscitar reflexão sobre identidade, memória, ausência e representação. N

o próximo dia 22 de maio, às 18 horas, o Centro Cultural Cabo Verde (CCCV), em parceria com a Embaixada da República de Cabo Verde em Portugal e o Museu Nacional de Arte Contemporânea (MNAC), inaugura a exposição “Ceci n’est Pas Francisco”, da artista cabo-verdiana Marta Pinto Machado, com curadoria de Filipa Oliveira e Ricardo Barbosa Vicente.

A mostra surge na continuidade do projeto anteriormente apresentado no Museu Nacional de Arte Contemporânea, expandindo agora a sua narrativa no espaço do Centro Cultural Cabo Verde, situado na Rua de São Bento, em Lisboa.

Mais do que uma simples exposição artística, “Ceci n’est Pas Francisco” assume-se como um exercício de investigação visual e conceptual sobre aquilo que os arquivos silenciam. O projeto centra-se na figura de Francisco Mendonça, revisitando memórias fragmentadas, ausências documentais e narrativas históricas que, por diferentes razões, ficaram suspensas no tempo ou marginalizadas da memória coletiva.

O título da exposição, inspirado na célebre obra “Ceci n’est pas une pipe” do pintor surrealista René Magritte, sugere desde logo uma provocação conceptual: aquilo que vemos não é necessariamente aquilo que pensamos conhecer. A obra convida o público a questionar os mecanismos de construção da memória, os limites da representação e o papel dos arquivos enquanto instrumentos de poder, preservação e, por vezes, de esquecimento.

Segundo a nota de imprensa enviada à comunicação social, este novo momento expositivo no CCCV pretende aprofundar o diálogo iniciado no MNAC, criando novas camadas de interpretação em torno das “ausências do arquivo e das histórias que ficaram por contar”.

A inauguração contará, às 18h00, com uma conversa entre a investigadora Inês Vieira Gomes e a artista Marta Pinto Machado, num momento que promete contextualizar o percurso da obra, os processos de investigação artística e os significados subjacentes ao projeto. A abertura oficial da exposição está marcada para as 19h00.

Num tempo em que os debates sobre memória histórica, identidade pós-colonial e representatividade cultural ganham nova centralidade, iniciativas desta natureza assumem especial relevância. Lisboa, enquanto espaço de encontro entre diferentes geografias da lusofonia, torna-se também palco de revisitação crítica das histórias comuns, das suas feridas e dos seus silêncios.

A exposição estará patente ao público até 27 de junho, oferecendo uma oportunidade para residentes e visitantes mergulharem numa proposta artística que cruza arte contemporânea, investigação histórica e reflexão social.

Como escreveu o filósofo francês Paul Ricoeur, “a memória não é apenas o que lembramos, mas também aquilo que escolhemos não esquecer”. Talvez seja precisamente nesse espaço entre o visível e o ausente que “Ceci n’est Pas Francisco” encontra a sua maior força.

Informações úteis

📍 Local: Centro Cultural Cabo Verde – Rua de São Bento, 640, Lisboa
📅 Inauguração: 22 de maio de 2026
🕕 18h00 – Conversa com Marta Pinto Machado e Inês Vieira Gomes
🕖 19h00 – Abertura da exposição
🗓 Exposição patente até 27 de junho

Fontes e referências:

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