Dirigindo-se aos seus interlocutores brasileiros, a CGTP-IN transmite uma mensagem de solidariedade e encorajamento aos trabalhadores e às organizações sindicais que participam no debate político e social em torno das eleições.
A tomada de posição surge depois da primeira volta, realizada em 4 de outubro, na qual Flávio Bolsonaro, candidato do Partido Liberal (PL), obteve 47,03% dos votos válidos, enquanto o atual Presidente, Luiz Inácio Lula da Silva, candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), alcançou 45,16%.
Os resultados oficiais, divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral brasileiro, confirmaram a realização de uma segunda volta entre os dois candidatos, marcada para 25 de outubro.
No comunicado, a CGTP-IN apresenta a disputa presidencial como um confronto entre duas orientações políticas distintas.
A organização identifica a candidatura de Lula da Silva com um projeto de desenvolvimento económico, defesa da soberania e valorização dos direitos democráticos e sociais.
Em sentido contrário, associa a candidatura de Flávio Bolsonaro à continuidade do legado político do anterior Presidente Jair Bolsonaro, criticando as políticas de privatização, as alterações nas relações laborais e as opções económicas da sua administração.
Estas apreciações refletem o posicionamento político e sindical da CGTP-IN, não constituindo uma caracterização consensual das duas candidaturas.
A central sindical portuguesa responsabiliza ainda a orientação seguida pelo anterior governo brasileiro pelo agravamento de desigualdades e pela fragilização de mecanismos de proteção social, evocando igualmente as consequências da pandemia de covid-19.
O Brasil registou mais de 700 mil mortes associadas à doença ao longo da pandemia, número referido no comunicado como parte da crítica à gestão do período presidencial de Jair Bolsonaro. A atribuição de responsabilidade política pela dimensão da mortalidade é, contudo, uma avaliação que deve ser distinguida dos dados epidemiológicos.
A CGTP-IN destaca, na mensagem, várias questões que considera fundamentais para o desenvolvimento social do Brasil.
Entre elas encontram-se a valorização do salário mínimo, a redução do horário de trabalho e o fim da chamada escala 6x1, regime em que os trabalhadores cumprem seis dias de trabalho por cada dia de descanso.
A central sindical relaciona estas reivindicações com a necessidade de melhorar as condições de vida, reduzir as desigualdades e reforçar a proteção dos trabalhadores.
A luta contra a fome ocupa também um lugar de destaque na posição expressa pela organização portuguesa, que defende políticas públicas capazes de assegurar o acesso à alimentação e diminuir a vulnerabilidade económica das famílias.
Para a CGTP-IN, estas matérias integram uma conceção de desenvolvimento assente na valorização do trabalho e na intervenção do Estado na promoção dos direitos sociais.
Outro dos aspetos destacados pela central sindical portuguesa é o papel dos Estados Unidos no atual contexto político brasileiro.
A CGTP-IN acusa a administração de Donald Trump de exercer pressão sobre o Brasil e de procurar influenciar a orientação política do país, particularmente no que respeita à exploração dos recursos naturais e ao posicionamento brasileiro na América Latina e nas Caraíbas.
As relações entre Brasília e Washington têm sido marcadas por divergências comerciais e diplomáticas. Em julho de 2026, a imposição de novas tarifas norte-americanas sobre produtos brasileiros provocou acusações de interferência política e intensificou a discussão sobre a soberania económica do Brasil.
Segundo a Reuters, as relações comerciais com os Estados Unidos e a China, bem como o acesso aos minerais estratégicos brasileiros, constituem questões relevantes para a política externa que resultará das eleições presidenciais.
A preocupação com uma eventual interferência norte-americana foi também expressa por 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos, que, em setembro, dirigiram uma carta ao secretário de Estado, Marco Rubio, criticando a atuação da administração Trump relativamente ao processo político brasileiro.
A CGTP-IN enquadra estas tensões numa disputa mais ampla sobre a autonomia política e económica do Brasil, defendendo que as decisões relativas ao futuro do país devem respeitar a sua soberania e a vontade expressa pelos eleitores.
Na parte final do comunicado, a CGTP-IN reafirma a sua solidariedade com o movimento sindical brasileiro e com as organizações que identifica como defensoras da democracia, da liberdade e dos direitos dos trabalhadores.
A organização portuguesa considera que a defesa da soberania nacional deve estar associada à promoção de melhores condições de vida e trabalho, à proteção social e à paz.
A mensagem integra-se na tradição de solidariedade internacional do movimento sindical e traduz o posicionamento da CGTP-IN perante a disputa presidencial brasileira.
Com a segunda volta marcada para domingo, 25 de outubro, caberá aos eleitores brasileiros decidir entre a continuidade do governo de Lula da Silva e a alternativa política apresentada por Flávio Bolsonaro.
A declaração da central sindical portuguesa evidencia a dimensão internacional que as eleições brasileiras adquiriram, num contexto em que os debates sobre direitos laborais, políticas económicas, relações comerciais e soberania ultrapassam as fronteiras do país.
A escolha do próximo Presidente da República será determinada pelo voto dos brasileiros, num processo cuja legitimidade depende do respeito pelas regras eleitorais e pela decisão democrática dos cidadãos.
Nota editorial: Este artigo foi elaborado com base na nota de imprensa fornecida, atribuída à CGTP-IN e assinada por Tiago Oliveira. A autenticidade do documento original não foi confirmada autonomamente. Os resultados da primeira volta e o calendário eleitoral foram confrontados com dados do Tribunal Superior Eleitoral brasileiro, enquanto o contexto das relações Brasil-EUA foi verificado através de fontes jornalísticas independentes. As avaliações políticas e acusações apresentadas pela central sindical são-lhe expressamente atribuídas.