Nas Espanhas o fascista Francisco Franco geriu o regime em modelo  monarquico proclamando a Espanha como reino em 1947 mas mantendo-se como regente vitalício. Embora não restaurasse o rei imediatamente, nomeou Juan Carlos de Borbón como seu sucessor em 1969

O fascista Franco manteve as cores tradicionais vermelho-amarelo-vermelho, mas introduziu uma águia (a águia de São João) no brasão de armas, que estava presente na faixa amarela

Em Portugal a bandeira da Republica nascida da revolução de 31.01.1891, com base na bandeira do maçonico carbonario Centro Democrático Federal 15 de Novembro manteve-se durante todo o fascismo como caraterizaçoes variadas consoante os tempos bem ao contrario do ansiado pelos católicos ultraconservadores que gritavam pelo regresso à bandeira monarquica

Esta diferenciação perante o simbolismo mostra bem a especificidade portuguesa até numa ditadura que se recusou monarquizar ao contrario do vizinho franquismo

Vejamos os Principais Elementos da Bandeira:

  • Verde: a cor da esperança do povo português.
  • Vermelho: o rubro da revolução, a coragem e o sangue derramado pela nação.
  • Esfera Armilar: o mundo que os navegadores portugueses descobriram, simbolizando a epopeia marítima.
  • Escudo Nacional (ao centro): Evoca a fundação da nacionalidade.
    • Cinco Quinas Azuis: a vitória de D. Afonso Henriques sobre cinco reis mouros na Batalha de Ourique.
    • Pontos Brancos (nas quinas): as cinco chagas de Cristo.
    • Sete Castelos: as fortalezas conquistadas aos mouros

Os Republicanos apresentaram -se pois como os continuadores diretos de um reino nascido em 1143 sob a lideranca de Afonso Henriques contra a ocupação arabe e o poder castelhano numa lógica democrática de Cidadania infelizmente incompleta no direito ao voto o que só a fragilizou!

Hoje surge, ao arrepio de um debate sério e urgente sobre o que é isto de se ser portugues, esta macabra ideia de misturar a nacionalidade com a imigraçao, o direito de residência e a obtenção da nacionalidade portuguesa!

Ninguem a nao serem os fascio salazarentos têm culpa destes 48 anos de retardo quando em maio de 1923 se realizou o III Congresso Pan-Africano parcialmente em Lisboa sendo um momento crucial na luta antirracista e anticolonialista.

Este momento vinha da  organizaçao de  intelectuais africanos e da diáspora, como  W.E.B. Du Bois e em Portugal com membros da Liga Africana.

Este evento integrou o movimento negro português (1911-1933) que surgia durante a Primeira República.

Elementos Históricos e Contexto:

III Congresso (1923): Realizado parcelarmente em Lisboa, contou com figuras como W.E.B. Du Bois, José de Magalhães, e Pascoal Pires dos Santos, e reuniu líderes africanos na capital portuguesa.

Liga Africana: Organização ativa em Lisboa que, em 1921, enviou representantes ao II Congresso Pan-Africano, evidenciando o papel de Portugal na organização internacional e defendia um processo de autonomia progressiva das entao colonias face a Portugal

Nao e posdivel ignorar que entre 1911 e 1933 nasceu e desenvolveu-se um movimento negro no país, influenciado pelo panafricanismo, e que lutou contra o racismo e iniciou um processo de contestação à opressão colonial.

 

Nasceram em Portugal os seguintes periódicos: O Negro (1911); A Voz D’Africa(1912-1913 e 1926-1930); Tribuna D’Africa (1913 e 1931-1932); O Eco D’Africa(1914-1915); Portugal Novo (1915); A Nova Pátria(1916-1918); O Protesto Indígena (1921); Correio de África(1921-1923 e 1924); A Mocidade Africana(1930-1932); África Magazine (1932); e África (1931 e 1932-1933). 

Muitos dos jornais eram porta-vozes das diversas organizações que surgiam: Associação dos Estudantes Negros (1911); Junta de Defesa dos Direitos D’África (1912); Liga Africana (1920); Partido Nacional Africano (1921); Liga das Mulheres Africanas (1929); Grémio “Ké-Aflikana” dos Africanos (1929); Movimento Nacionalista Africano (1931). 

A geração de 1911-1932 desponta em Portugal ao mesmo tempo que, nos territórios sob ocupação portuguesa em África, emergiam ou já estavam estabelecidas outras organizações que colocavam na ordem do dia a exigência de mais igualdade e de maior autonomia. Este movimento nas “colónias” tem sido referido como movimento nativista.

A geração em Portugal foi varrida da história e pouco ou nada se conhece sobre ela. A presença de negros em Portugal tem sido ignorada ao longo dos tempos num processo de silenciamento do passado

Mas vejamos exemplos dessa atividade!

Com três números em 1911, O Negro, primeiro jornal desta geração, saiu à rua procurando afirmar-se como uma poderosa e radical ferramenta ao serviço da luta pelos direitos dos afrodescendentes e contra o racismo.

O seu lançamento ocorreu seis meses após a proclamação da República e na primeira página do jornal escrevia-se

«A nossa escravidão é secular e em virtude dela temos sofrido todos os vexames e tiranias […] não queremos continuar a ser enganados, porque estamos fartos de pagar, estamos fartos de tutores, de Salvadores e Senhores e tudo o que aspiramos é aprender a orientar as nossas ideias e a libertarmo-nos de todas as formas de tirania e exploração com que nos têm escravizado, esmagado em nós todas as energias de inteligência e todas as manifestações de vida social» (O Negro n.º1. Lisboa, 09/03/1911, p.1)

O apelo à emancipação dos negros e o antirracismo vai ser uma constante em toda a imprensa desta geração.

Os protagonistas deste movimento desenvolveram o seu ativismo tendo como pano de fundo a Primeira República (1910-1926), onde a confrontação social e política foi uma constante.

Durante este período dispuseram de maior liberdade para afirmar as suas posições.

Mas a Primeira República aprofundou um projeto colonialista levando a cabo campanhas militares parte delas em consequência da guerra de interesses coloniais na Europa com o propósito de subjugar, pela violência, os povos africanos dos territórios da Guiné, Angola e Moçambique.

Os ativistase  negros na “metrópole” estavam expostos aos debates e divergências verificadas no seio do Pan-africanismo internacional, do qual faziam parte, e eram influenciados, fundamentalmente, pela realidade dos Estados Unidos da América. 

A primeira importante organização desta geração foi a Junta de Defesa dos Direitos D’Africa (1912).

A Junta sofreu uma divisão que culminou na criação da Liga Africana (1920) e do Partido Nacional Africano (1921).

Anos mais tarde, o Movimento Nacionalista Africano (1931), cede ao regime salazarento, com a instauração do “Estado Novo”, e desaparece a última publicação deste movimento, o jornal África.

E relembremos a Revolta de Catete, de  janeiro de 1922 em Angola.

A mesma foi um levantamento de plantadores de algodão contra as políticas coloniais portuguesas, nomeadamente o trabalho forçado e a exploração económica.

Na mesma António de Assis Júnior foi  um dos principais advogados defensores, e dela sucedeu-se uma forte repressão pelo Alto-Comissário Norton de Matos, que  ao encerramento da Liga Angolana e à deportação de vários membros da elite intelectual angolana.

Na verdade o protesto contra as condições de exploração no cultivo do algodão, o trabalho forçado e o sistema colonial em Angola e contextualizada num período de agitação colonial pós  I  Guerra Mundial, seguiu-se a outras revoltas de sobados entre 1917 e 1918.

Em fevereiro de 1922, Norton de Matos, como represália, encerrou a Liga Angolana e deportou vários líderes intelectuais e defensores dos direitos dos nativos pelo que figuras como António de Assis Júnior foram enviadas para o Cubango, enquanto outros membros, como Manuel Pereira dos Santos Van-Dúnem Júnior, foram deportados para Cabinda ou outras zonas de Angola.

Entretanto na parcela europeia do imperio e durante o período da Primeira República Portuguesa (1910-1926), houve membros negros e afrodescendentes eleitos para o parlamento sendo os principais deputados negros eleitos neste período foram:

  • João Monteiro de Castro (João de Castro): Nascido em São Tomé e Príncipe, foi um dos mais proeminentes ativistas. Foi eleito deputado em 1918, pelo Partido Socialista Português,  uma força à esquerda e posteriormente em 1922. João de Castro identificava-se no parlamento como representante "socialista e indígena", defendendo os direitos dos povos africanos e o sufrágio universal.
  • José de Magalhães: Nascido em Angola, foi um médico, intelectual e político influente. Foi eleito deputado em 1921. Foi uma figura central na organização do movimento negro, fundando a Liga Africana e o Movimento Nacionalista Africano.
  • Augusto Gambôa: Senador eleito em 1921 pelo círculo de São Tomé e Príncipe, membro da Liga Africana.
  • Estes intelectuais e políticos negros utilizaram o parlamento para contestar a opressão colonial e lutar contra o racismo.
  • A sua eleição foi impulsionada por organizações como a Junta de Defesa dos Direitos de África e, posteriormente, o Partido Nacional Africano e a Liga Africana.
  • João de Castro é frequentemente citado como um dos primeiros representantes negros a ocupar um lugar no parlamento português.

Infelizmente o salazarento bloqueou o natural percurso democratico e independentista que vimos nascer por exemplo com Leopold Senghor do Senegal

Senghor a atividade política nos anos 1930, ainda em França, tornando-se membro da Secção Francesa da Internacional Operária (SFIO), e em 1946 deputado pelo Senegal na Assembleia Nacional Francesa. Já como membro do Bloco Democrático Senegalês (BDS), partido que fundou, em substituição do SFIO, chega em 1955 a secretário de Estado do Governo francês, encarregue da pasta do Ultramar.

O  sobrenome Senghor é uma adaptação de "Senhor",  devido à presença e influência portuguesa na região da Casamansa pois o pai de Senghor, Basile Diogoye Senghor, era um comerciante católico da etnia sererê, e o próprio Léopold mencionou em entrevistas que o seu grupo sanguíneo (A) e o nome sugeriam uma possível ascendência portuguesa.

Nasceu em Joal, no Senegal, numa zona que historicamente teve trocas comerciais e influência colonial portuguesa, sendo a região conhecida por vezes como "Joal-la-Portugaise".

O próprio Senghor reconhecia que o seu apelido significava "Senhor" e que a letra "h" foi adicionada na grafia francesa.

Léopold Sédar Senghor foi o primeiro presidente do Senegal (1960-1980) e um dos fundadores do movimento literário da Negritude

Os nacionalismos africanos nascem alias bem tortos devido à tristemente famosa Conferência de Berlim que estralhaçou Africa a Regua e Esquadro!

Infelizmente em Portugal domina a ideologia do racismo do passado para o Futuro!