Em Portugal a bandeira da Republica nascida da revolução de 31.01.1891, com base na bandeira do maçonico carbonario Centro Democrático Federal 15 de Novembro manteve-se durante todo o fascismo como caraterizaçoes variadas consoante os tempos bem ao contrario do ansiado pelos católicos ultraconservadores que gritavam pelo regresso à bandeira monarquica
Esta diferenciação perante o simbolismo mostra bem a especificidade portuguesa até numa ditadura que se recusou monarquizar ao contrario do vizinho franquismo
Vejamos os Principais Elementos da Bandeira:
Os Republicanos apresentaram -se pois como os continuadores diretos de um reino nascido em 1143 sob a lideranca de Afonso Henriques contra a ocupação arabe e o poder castelhano numa lógica democrática de Cidadania infelizmente incompleta no direito ao voto o que só a fragilizou!
Hoje surge, ao arrepio de um debate sério e urgente sobre o que é isto de se ser portugues, esta macabra ideia de misturar a nacionalidade com a imigraçao, o direito de residência e a obtenção da nacionalidade portuguesa!
Ninguem a nao serem os fascio salazarentos têm culpa destes 48 anos de retardo quando em maio de 1923 se realizou o III Congresso Pan-Africano parcialmente em Lisboa sendo um momento crucial na luta antirracista e anticolonialista.
Este momento vinha da organizaçao de intelectuais africanos e da diáspora, como W.E.B. Du Bois e em Portugal com membros da Liga Africana.
Este evento integrou o movimento negro português (1911-1933) que surgia durante a Primeira República.
Elementos Históricos e Contexto:
III Congresso (1923): Realizado parcelarmente em Lisboa, contou com figuras como W.E.B. Du Bois, José de Magalhães, e Pascoal Pires dos Santos, e reuniu líderes africanos na capital portuguesa.
Liga Africana: Organização ativa em Lisboa que, em 1921, enviou representantes ao II Congresso Pan-Africano, evidenciando o papel de Portugal na organização internacional e defendia um processo de autonomia progressiva das entao colonias face a Portugal
Nao e posdivel ignorar que entre 1911 e 1933 nasceu e desenvolveu-se um movimento negro no país, influenciado pelo panafricanismo, e que lutou contra o racismo e iniciou um processo de contestação à opressão colonial.
Nasceram em Portugal os seguintes periódicos: O Negro (1911); A Voz D’Africa(1912-1913 e 1926-1930); Tribuna D’Africa (1913 e 1931-1932); O Eco D’Africa(1914-1915); Portugal Novo (1915); A Nova Pátria(1916-1918); O Protesto Indígena (1921); Correio de África(1921-1923 e 1924); A Mocidade Africana(1930-1932); África Magazine (1932); e África (1931 e 1932-1933).
Muitos dos jornais eram porta-vozes das diversas organizações que surgiam: Associação dos Estudantes Negros (1911); Junta de Defesa dos Direitos D’África (1912); Liga Africana (1920); Partido Nacional Africano (1921); Liga das Mulheres Africanas (1929); Grémio “Ké-Aflikana” dos Africanos (1929); Movimento Nacionalista Africano (1931).
A geração de 1911-1932 desponta em Portugal ao mesmo tempo que, nos territórios sob ocupação portuguesa em África, emergiam ou já estavam estabelecidas outras organizações que colocavam na ordem do dia a exigência de mais igualdade e de maior autonomia. Este movimento nas “colónias” tem sido referido como movimento nativista.
A geração em Portugal foi varrida da história e pouco ou nada se conhece sobre ela. A presença de negros em Portugal tem sido ignorada ao longo dos tempos num processo de silenciamento do passado
Mas vejamos exemplos dessa atividade!
Com três números em 1911, O Negro, primeiro jornal desta geração, saiu à rua procurando afirmar-se como uma poderosa e radical ferramenta ao serviço da luta pelos direitos dos afrodescendentes e contra o racismo.
O seu lançamento ocorreu seis meses após a proclamação da República e na primeira página do jornal escrevia-se
«A nossa escravidão é secular e em virtude dela temos sofrido todos os vexames e tiranias […] não queremos continuar a ser enganados, porque estamos fartos de pagar, estamos fartos de tutores, de Salvadores e Senhores e tudo o que aspiramos é aprender a orientar as nossas ideias e a libertarmo-nos de todas as formas de tirania e exploração com que nos têm escravizado, esmagado em nós todas as energias de inteligência e todas as manifestações de vida social» (O Negro n.º1. Lisboa, 09/03/1911, p.1)
O apelo à emancipação dos negros e o antirracismo vai ser uma constante em toda a imprensa desta geração.
Os protagonistas deste movimento desenvolveram o seu ativismo tendo como pano de fundo a Primeira República (1910-1926), onde a confrontação social e política foi uma constante.
Durante este período dispuseram de maior liberdade para afirmar as suas posições.
Mas a Primeira República aprofundou um projeto colonialista levando a cabo campanhas militares parte delas em consequência da guerra de interesses coloniais na Europa com o propósito de subjugar, pela violência, os povos africanos dos territórios da Guiné, Angola e Moçambique.
Os ativistase negros na “metrópole” estavam expostos aos debates e divergências verificadas no seio do Pan-africanismo internacional, do qual faziam parte, e eram influenciados, fundamentalmente, pela realidade dos Estados Unidos da América.
A primeira importante organização desta geração foi a Junta de Defesa dos Direitos D’Africa (1912).
A Junta sofreu uma divisão que culminou na criação da Liga Africana (1920) e do Partido Nacional Africano (1921).
Anos mais tarde, o Movimento Nacionalista Africano (1931), cede ao regime salazarento, com a instauração do “Estado Novo”, e desaparece a última publicação deste movimento, o jornal África.
E relembremos a Revolta de Catete, de janeiro de 1922 em Angola.
A mesma foi um levantamento de plantadores de algodão contra as políticas coloniais portuguesas, nomeadamente o trabalho forçado e a exploração económica.
Na mesma António de Assis Júnior foi um dos principais advogados defensores, e dela sucedeu-se uma forte repressão pelo Alto-Comissário Norton de Matos, que ao encerramento da Liga Angolana e à deportação de vários membros da elite intelectual angolana.
Na verdade o protesto contra as condições de exploração no cultivo do algodão, o trabalho forçado e o sistema colonial em Angola e contextualizada num período de agitação colonial pós I Guerra Mundial, seguiu-se a outras revoltas de sobados entre 1917 e 1918.
Em fevereiro de 1922, Norton de Matos, como represália, encerrou a Liga Angolana e deportou vários líderes intelectuais e defensores dos direitos dos nativos pelo que figuras como António de Assis Júnior foram enviadas para o Cubango, enquanto outros membros, como Manuel Pereira dos Santos Van-Dúnem Júnior, foram deportados para Cabinda ou outras zonas de Angola.
Entretanto na parcela europeia do imperio e durante o período da Primeira República Portuguesa (1910-1926), houve membros negros e afrodescendentes eleitos para o parlamento sendo os principais deputados negros eleitos neste período foram:
Infelizmente o salazarento bloqueou o natural percurso democratico e independentista que vimos nascer por exemplo com Leopold Senghor do Senegal
Senghor a atividade política nos anos 1930, ainda em França, tornando-se membro da Secção Francesa da Internacional Operária (SFIO), e em 1946 deputado pelo Senegal na Assembleia Nacional Francesa. Já como membro do Bloco Democrático Senegalês (BDS), partido que fundou, em substituição do SFIO, chega em 1955 a secretário de Estado do Governo francês, encarregue da pasta do Ultramar.
O sobrenome Senghor é uma adaptação de "Senhor", devido à presença e influência portuguesa na região da Casamansa pois o pai de Senghor, Basile Diogoye Senghor, era um comerciante católico da etnia sererê, e o próprio Léopold mencionou em entrevistas que o seu grupo sanguíneo (A) e o nome sugeriam uma possível ascendência portuguesa.
Nasceu em Joal, no Senegal, numa zona que historicamente teve trocas comerciais e influência colonial portuguesa, sendo a região conhecida por vezes como "Joal-la-Portugaise".
O próprio Senghor reconhecia que o seu apelido significava "Senhor" e que a letra "h" foi adicionada na grafia francesa.
Léopold Sédar Senghor foi o primeiro presidente do Senegal (1960-1980) e um dos fundadores do movimento literário da Negritude
Os nacionalismos africanos nascem alias bem tortos devido à tristemente famosa Conferência de Berlim que estralhaçou Africa a Regua e Esquadro!
Infelizmente em Portugal domina a ideologia do racismo do passado para o Futuro!