O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não esteve no encontro. O episódio importa porque o bloco, agora com 11 membros plenos, concentra cerca de 40% do PIB mundial e tenta ampliar a voz de países em desenvolvimento nas instituições multilaterais.

O que aconteceu na Cimeira  de 12 e 13 de setembro?

A 18ª Cimeira do Brics ocorreu no Bharat Mandapam, sob a presidência da Índia e o tema Building for Resilience, Innovation, Cooperation and Sustainability.

No primeiro dia, os membros adotaram por unanimidade a declaração conjunta, segundo o Ministério das Relações Exteriores da Índia e o relato da Agência Xinhua / governo da China.

No domingo, 13/set, houve uma sessão aberta com países parceiros e convidados.

O Kremlinregistrou a presença de Vladimir Putin, Narendra Modi, Xi Jinping, Cyril Ramaphosa, Abdel Fattah el-Sisi, Prabowo Subianto, Masoud Pezeshkian, Abiy Ahmed e o príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed Al Nahyan. O Brasil figurou na lista oficial russa na pessoa do ministro das Relações Exteriores Mauro Luiz Iecker Vieira.

Por que Lula não foi a Nova Délhi?

Fontes indianas informam que o presidente brasileiro permaneceu no país por causa da campanha eleitoral.

O Hindustan Times e o The Print registram que as eleições presidenciais no Brasil estão marcadas para a primeira semana de outubro e que Mauro Vieira chegou a Nova Délhi para representar o governo.

A agência indiana ANI e o serviço DD News confirmam a chegada do chanceler.

Não há, nas fontes da Índia, da China, da Rússia e da África do Sul usadas nesta matéria, declaração pública do próprio Lula sobre a ausência neste fim de semana.

O fato confirmado é a representação ministerial.

A ausência do chefe de Estado brasileiro não equivale a ausência do Brasil no bloco.

O país permanece membro fundador, a declaração cita o Brasil nas pretensões de reforma da ONU e o chanceler integrou a mesa de líderes, conforme a lista do Kremlin.

O que a Declaração de Nova Délhi diz?

O texto, publicado pelo MEA indiano, reafirma o espírito de igualdade soberana, consenso e multilateralismo. Os líderes se comprometem a uma ordem internacional “mais justa, equitativa, ágil, eficaz, representativa e responsável”.

Pontos centrais extraídos do documento oficial e das sínteses da Xinhua:

  • reforma da governança global e da ONU, inclusive do Conselho de Segurança, com apoio às aspirações do Brasil e da Índia a um papel maior;
  • condenação de medidas coercitivas unilaterais e de sanções consideradas contrárias ao direito internacional;
  • preocupação com conflitos, riscos nucleares e ataques a infraestrutura civil e a instalações nucleares sob salvaguardas da AIEA, sem nomear países;
  • apelo a contenção máxima no Oriente Médio, cessar-fogo em Gaza, acesso humanitário e solução de dois Estados;
  • condenação do terrorismo em todas as formas, com menção ao atentado em Jammu e Caxemira;
  • reforma do FMI, do Banco Mundial e da OMC, inclusive restabelecimento do mecanismo de solução de controvérsias;
  • governança da inteligência artificial e cooperação em pagamentos, cadeias de suprimento e Banco de Desenvolvimento do Brics;
  • apoio pleno à presidência chinesa do bloco em 2027 e à 19ª cúpula na China.

Imagem de destaque: Criada por IA para efeitos de ilustracao do artigo