Cabo Verde chegou ao Mundial de 2026 pela primeira vez, apurou-se para a fase a eliminar sem perder nenhum jogo da fase de grupos e caiu a 3 de julho frente à Argentina, por 3-2, depois de um prolongamento.

Seis meses depois do apuramento, conseguido em outubro de 2025, o país tenta agora transformar essa visibilidade em turismo e investimento, num momento em que a economia cresce mas depende de duas ilhas.

Com cerca de 500 mil habitantes e 4.033 quilómetros quadrados, o arquipélago tornou-se a mais pequena nação a qualificar-se para um Mundial, superando o recorde de Trinidad e Tobago, em 2006. Na fase de grupos empatou a zero com a Espanha, a dois com o Uruguai e a zero com a Arábia Saudita. Os 26 convocados jogam quase todos no estrangeiro, sobretudo em clubes de Portugal, Espanha, Turquia e Estados Unidos.

O efeito no turismo ainda não é mensurável. Os dados mais recentes do Instituto Nacional de Estatística, referentes ao primeiro trimestre de 2026, são anteriores ao torneio e já mostravam uma subida: 379.657 hóspedes, mais 16,8% do que no mesmo período de 2025, e 1.725.684 dormidas. O Reino Unido liderou as chegadas, com 92.433 visitantes, seguido da França, de Portugal, da Suécia e da Alemanha. Nove em cada dez turistas vieram do estrangeiro.

A concentração é o ponto fraco. A ilha do Sal recebe quase seis em cada dez visitantes, e com a Boa Vista absorve mais de três quartos de toda a atividade turística. O Banco Mundial, na Atualização Económica de Cabo Verde 2026, nota que a economia cresceu 6,3% em 2025, impulsionada pelo turismo, pelo consumo privado e pela melhoria das contas públicas, mas continua exposta à dependência do setor, aos riscos das empresas públicas e às limitações dos transportes aéreos e marítimos. Estas limitações, segundo o relatório, contribuem para que o emprego e o investimento se acumulem nas duas ilhas e escasseiem nas restantes. A instituição defende um sistema de transportes inter-ilhas mais fiável e acessível, que aproxime o turismo da agricultura, das pescas, da logística e dos serviços locais, com benefício sobretudo para jovens e mulheres.

O turismo representa cerca de 25% do PIB e emprega diretamente mais de 30 mil pessoas. Cabo Verde foi também designado país anfitrião das comemorações centrais do Dia Mundial do Turismo em 2027, o que lhe dá uma nova montra internacional. A imprensa económica internacional aponta que a imagem de pequeno país estável e competitivo que surpreende no Mundial pode servir para atrair investimento em turismo, energias renováveis e logística portuária, e avisa que a visibilidade só se converte em resultados se for acompanhada de investimento em infraestruturas e produtividade.