O deputado socialista acusa também Pedro Duarte de ter falta de "empatia" e "sensibilidade" para lidar com o caso da manifestação pacífica que tem estado a decorrer desde sábado na Praça D. João I, no coração da baixa da cidade do Porto, onde estão a reivindicar pelo direito à habitação.
"A falta de empatia e de sensibilidade que Pedro Duarte manifesta neste caso diz muito sobre a distância entre alguns políticos e a vida de quem trabalha. Era bom que calçassem os sapatos de um jovem trabalhador que recebe o salário mínimo e vê a renda levar-lhe quase tudo. Que tentassem pagar uma casa, comer e viver com o que sobra. Do conforto das suas casas, é fácil assobiar para o lado. Difícil é trabalhar um mês inteiro e nem conseguir pagar um teto", acrescenta o deputado e mais, "quem se manifesta por uma casa a um preço que possa pagar merece ser ouvido não merece levar porrada".
A PSP alegou hoje que "as reuniões e manifestações em lugares públicos não podem prolongar-se para além da 00:30" e que os manifestantes no Porto adotaram "comportamentos de resistência", que levaram à atuação policial, provocando "alguns feridos".
Em comunicado enviado hoje, a PSP refere que pelas 03:00 "desencadeou uma operação policial, tendo solicitado aos manifestantes que cessassem o ruído e recolhessem as tendas, o que continuaram a não fazer".
Nessa madrugada, a Polícia Municipal retirou cerca de 50 tendas que estavam armadas na praça, fundamentando a câmara que o acampamento ocupava indevidamente o espaço público, levando os manifestantes a dormir ao relento, mantendo o protesto mesmo sem isso.
Nesta quarta-feira, numa assembleia popular, as pessoas votaram por manter o protesto e voltar a dormir em tendas, manifestando o grupo vontade de "continuar a crescer e não só no Porto", apelando a outras cidades.
O movimento pela habitação que desde sábado tem organizado uma acampada na Praça D. João I, no Porto, convocou hoje nova concentração, pelas 19:00, após a carga policial desta madrugada ter desmobilizado o ajuntamento.