Esta importância já era reconhecida pelos Estados Unidos em 1971, com o então presidente Richard Nixon resumiu essa percepção em uma frase que atravessaria a história:
“Para onde for o Brasil, irá toda a América Latina.”
A frase foi dita por Nixon durante um jantar de gala em homenagem ao general-presidente Emílio Garrastazu Médici, um dos mais duros ditadores que governaram o Brasil.
A declaração traduzia a importância estratégica que Washington atribuía ao Brasil no contexto da Guerra Fria e estava em sintonia com a visão de seu então secretário de Estado, Henry Kissinger, conhecido pela sua capacidade de análise estratégica.
Na década de 1960, após a vitória da Revolução Cubana e perante a crescente disputa entre Estados Unidos e União Soviética, Washington passou a tratar a América Latina como uma região fundamental para conter a expansão da esquerda. O Brasil, que em 1964 teve sua democracia derrubada por um golpe militar, tornou-se um dos principais pontos de apoio da estratégia dos Estados Unidos no continente.
O golpe brasileiro seria seguido, nos anos seguintes, por uma sucessão de rupturas institucionais e regimes militares totalitários em diferentes países da América do Sul e do Caribe.
Hoje, Marco Rubio, um secretário de Estado muito menos sofisticado do que Henry Kissinger, parece repetir a mesma estratégia, mas sempreservar as aparências.
A intervenção nos assuntos internos dos países que ele e seu chefe ainda consideram parte do “quintal” dos Estados Unidos já não precisa dos antigos disfarces diplomáticos.
Chantagens e ameaças abertas contra governos democraticamente eleitos. Impõem sanções, tarifaços e até acenam com a possibilidade de intervenção militar, recorrendo ao pretexto do combate ao que classificam como a ameaça do “terrorismo dos cartéis do tráfico de drogas”.
Faltando menos de dois meses para o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro, o governo Lula, em resposta à pressão da administração Trump, anunciou que pretende utilizar a Lei da Reciprocidade Econômica contra o tarifaço imposto por Trump às exportações brasileiras.
Mais do que responder às medidas economicas de Washington, o presidente Lula vem articulando o apoio de importantes países do cenário internacional em defesa da democracia brasileira. Conversou longamente com Xi Jinping e Vladimir Putin e, na última quinta-feira à noite, participou de uma videoconferência com a presidenta do México, Claudia Sheinbaum, aprofundando a parceria entre as duas maiores economias da América Latina.
A aproximação entre Brasil e México ganha uma dimensão que ultrapassa as relações comerciais e diplomáticas. Juntos, os dois países representam uma parcela decisiva do peso político e economico da América Latina.
E é justamente por isso que a disputa pelo futuro de suas democracias interessa não apenas a brasileiros e mexicanos, mas a todo os países da região.
O que está em jogo, é a soberania dos povos latino-americanos, o direito de decidir sobre seu futuro político e econômico sem serem tutelados pelos Estados Unidos.
A América Latina já conheceu as consequências da interferência externa, dos golpes e das ditaduras.
O século XXI não pode ser marcado pela tentativa de ressuscitar uma lógica colonial sob novos pretextos.
Brasil e México têm diante de si uma responsabilidade histórica: preservar as suas democracias e afirmar que a América Latina não é quintal de nenhuma potência.
“Para onde for o Brasil, irá toda a América Latina. Por isso, a reeleição do presidente Lula nunca foi tão importante para o futuro de nossa nação e para a defesa da soberania latino-americana.”