A economia a fragilizar no comsumo interno?
Diz o Instituto Nacional de Estatística (INE), entre janeiro e março, que a população desempregada, estimada em 346,3 mil pessoas, aumentou 6,1% (20,0 mil) em relação ao trimestre anterior e diminuiu 5,3% (19,5 mil) face ao trimestre homólogo.
É a crise global?
Ou somente uma adaptação organizacional à instabilidade?
Para a variação homóloga da população desempregada contribuíram, principalmente, os decréscimos nos grupos populacionais dos homens (19,2 mil; 11,0%), pessoas dos 16 aos 24 anos (9,5 mil; 11,9%), pessoas que completaram, no máximo, o 3.º ciclo do ensino básico (10,1 mil; 7,7%) ou o ensino secundário e pós-secundário (10,3 mil; 7,2%); pessoas à procura de novo emprego (17,7 mil; 5,5%) e desempregados há 12 ou mais meses (11,6 mil; 8,6%)
A taxa de desemprego de jovens (16 a 24 anos) foi estimada em 19,1%, numa diminuição em relação ao trimestre anterior (0,7 pontos percentuais) e ao homólogo (2,1 pontos percentuais).
No primeiro trimestre do ano, a taxa de desemprego foi superior à média nacional (6,1%) nas regiões da Grande Lisboa (7,4%), Península de Setúbal (6,8%) e Algarve (6,7%) e inferior nas restantes seis regiões NUTS II (NUTS-2024): Norte (6,0%), Oeste e Vale do Tejo (5,6%), Alentejo (5,5%), Açores (5,4%), Centro (5,0%) e Madeira (4,5%).
Em relação ao trimestre anterior, observaram-se acréscimos em cinco regiões, destacando-se o da Grande Lisboa (1,6 pontos percentuais) e decréscimos em três regiões NUTS II, o maior dos quais na Península de Setúbal (1,2 pontos percentuais).
A taxa de desemprego da região Norte manteve-se.
Na comparação homóloga, a taxa de desemprego aumentou na Grande Lisboa (0,6 pontos percentuais) e diminuiu nas restantes, realçando o INE a redução na Região Autónoma da Madeira (2,2 pontos percentuais).
Já a subutilização do trabalho (que agrega a população desempregada, o subemprego de trabalhadores a tempo parcial, os inativos à procura de emprego, mas não disponíveis, e os inativos disponíveis, mas que não procuram emprego) abrangeu 588 mil pessoas, valor superior em 2,9% (16,8 mil) ao do trimestre anterior e inferior em 6,4% (40,4 mil) ao do período homólogo.
A taxa de subutilização do trabalho, estimada em 10,2%, aumentou 0,3 pontos percentuais relativamente ao trimestre anterior e diminuiu em 0,9 pontos percentuais em termos homólogos.
No primeiro trimestre, 35,6% da população desempregada encontrava-se nesta condição há 12 e mais meses (desemprego de longa duração), valor inferior em 0,5 pontos percentuais ao do trimestre precedente e em 1,3 pontos percentuais ao do trimestre homólogo.
No que se refere à população inativa com 16 e mais anos (3.738,8 mil), representou 71,9% da população inativa total, tendo aumentado em relação ao trimestre anterior (8,7 mil; 0,2%) e diminuído relativamente ao homólogo (12,0 mil; 0,3%).
A taxa de inatividade da população com 16 ou mais anos situou-se em 39,8%, valor superior em 0,1 pontos percentuais ao do quarto trimestre de 2025 e inferior em 0,5 pontos percentuais ao do primeiro trimestre desse mesmo ano.
Quanto à população empregada (5.300,8 mil pessoas), diminuiu 0,7% (38,7 mil) em relação ao trimestre anterior e aumentou 2,3% (119,4 mil) relativamente ao trimestre homólogo de 2025.
Segundo o INE, a proporção da população empregada em teletrabalho, isto é, que trabalhou a partir de casa com recurso a tecnologias de informação e comunicação, foi de 21,1% (1.118,9 mil pessoas), inferior em 0,1 pontos percentuais à do quarto trimestre de 2025 e superior 0,2 pontos percentuais à do primeiro trimestre do mesmo ano.
Entretanto por entre a instabilidade a CIP - Confederação Empresarial de Portugal (Cip) recuou e diz aceitar as propostas da UGT em matéria de "outsourcing", reintegração de trabalhadores despedidos ilicitamente, banco de horas individual, formação contínua e questões de arbitragem, anunciou esta quarta-feira o seu presidente.
Numa conferência de imprensa sobre a revisão da legislação laboral, em Lisboa, Armindo Monteiro salientou que existem dois pontos que são de discórdia com a UGT para se chegar a acordo.
"O banco de horas individual é a prática que mais existe nas empresas a título informal", assegurou Armindo Monteiro, que disse que este ponto tem trazido à opinião pública "perceções erradas" de que o banco é uma forma "encapotada de trabalho extraordinário".
"Com a complexidade que as empresas hoje têm é impossível terem todos os 'skills' (competências) dentro das suas empresas e por isso contratam fora", afirmou, referindo-se à questão do "outsourcing" (subcontratação de serviços).
"Proibir o "outsourcing" é impedir que as empresas se foquem no seu "core business"(negócio principal)", afirmou, dizendo que "esta ideia de combater o "outsourcing" é absolutamente peregrina na Europa".
Desta forma, a "Cip está disponível para acompanhar a posição da UGT" nesta matéria, afirmou.
A CIP propõe ainda que o pagamento de um 15.º mês seja verdadeiramente isento de IRS e TSU, que se isente 50% de IRS no trabalho extraordinário e por turnos e que o que resulta dessa isenção de IRS e TSU seja canalizado para um fundo complementar que beneficiará uma conta individual desse trabalhador.
Para Armindo Monteiro, a UGT tem agora condições para aceitar o acordo e diz mesmo que "seria interessante que a UGT e a CGTP pudessem submeter um documento conjunto" com as entidades patronais.
Questionado pelos jornalistas se o Executivo vai aceitar, o responsável assegurou: "o Governo não pode ser contra a posição maioritária da Concertação Social. É pouco provável" que contrarie uma posição conjunta.
"Falta ridiculamente pouco" para se chegar a um acordo, afirmou.
Bem e assim em Maio 2026 assiste-se a um dramatico recuo da ala mais direitista do patronato …
A ver como reagirá a UGT