A Duma Estatal da Rússia aprovou, esta quinta-feira, 26 de fevereiro, um apelo de emergência dirigido aos parlamentos do Reino Unido, da França e da Alemanha, bem como ao Parlamento Europeu e às Nações Unidas, na sequência de alegadas informações de inteligência sobre planos de transferência de componentes de armas nucleares para a Ucrânia.

Segundo o Serviço de Inteligência Estrangeira da Rússia (SVR), Londres e Paris estarão a ponderar a entrega de uma bomba atómica, de uma “bomba suja” ou a eventual transferência secreta de uma ogiva nuclear TN75 para o míssil balístico M51.1.

As autoridades russas classificaram essas alegadas intenções como uma violação grave do Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), advertindo para o risco de escalada com consequências globais.

O presidente da câmara baixa do parlamento russo, Vyacheslav Volodin, afirmou que os líderes europeus estariam a “brincar com armas de destruição em massa” e a agir à revelia dos seus próprios cidadãos. Moscovo defende a abertura imediata de investigações parlamentares nos países mencionados, de modo a esclarecer as alegações e, nas palavras do documento aprovado, “neutralizar uma ameaça à paz e à sobrevivência humana”.

A referência à Alemanha surge, segundo a narrativa russa, devido a relatórios que indicariam que Berlim estaria informada sobre eventuais discussões no seio da NATO, ainda que não participe diretamente em qualquer plano dessa natureza.

Até ao momento, não há confirmação pública independente por parte das autoridades britânicas, francesas ou alemãs sobre tais alegações. O tema surge num contexto de elevada tensão geopolítica e de intensificação da retórica entre Moscovo e os países da Aliança Atlântica, mantendo a questão nuclear no centro das preocupações estratégicas internacionais.