"Eu nem consigo vislumbrar, para a democracia, para o Estado direto-democrático, uma atuação mais grave do que isto", lamenta Mónica Quintela, na TSF.
Caso estas suspeitas se confirmem a Justiça fica perante "a tese do fruto proibido" isto é significaria que a obtenção de prova obtida no processo Football Leaks não teria sido realizada de forma legal, podendo, por isso, "contaminar toda a prova subsequente" e como a condenação de Rui Pinto se deu com base uma atuação ilícita da Polícia Judiciária, o seu julgamento poderia mesmo ser "anulado".
"Isto é de uma gravidade extraordinária", assinala.
Mónica Quintela diz, por isso, esperar que esta investigação seja o "mais célere possível", apontando que é "fundamental" que se descubra "rapidamente" se houve ou não escutas ilegais no processo.
Já sobre a Comissão Parlamentar de Inquérito à gestão de Luís Neves na Polícia Judiciária, apresentada pelo Chega, avisa que o partido vai transformar a iniciativa num "festival de chicana política".
A também ex-deputada considera mesmo que André Ventura já está a instrumentalizar o Presidente da República neste caso.
Isto porque afirmou que vai partilhar a lista de pessoas a ouvir nesta iniciativa, quando esta estiver fechada, com António José Seguro, por ter sido um "compromisso" que assumiu com o chefe de Estado.
"O Presidente da República assume compromissos com o presidente do Chega? Não me parece que assim seja. E também, quando André Ventura diz que quer chegar ao Presidente da República também para ouvir opinião, no fundo está a caucionar as atitudes e a atuação que vai ter na Comissão Parlamentar de Inquérito. Como quem diz: 'Eu estou a fazer isto, mas antes falei com o Presidente da República e ele compactuou, não travou e tem conhecimento disto.' É quase como se tivesse aqui uma caução, como se tivesse um aval do Presidente da República. Isto é muito grave", denuncia.
Apesar de reconhecer que Seguro não pode vir a público, num "bate-boca como se estivesse ao nível do Mercado do Bolhão", desmentirestas informações, entende que a Presidência da República deveria emitir um comunicado em que realçasse que o chefe de Estado tem "disponibilidade para ouvir todos os partidos políticos", mas que tal "não significa nada mais do que isso".
Além disso, defende, o texto teria igualmente de realçar que o Presidente "não manda recados por ninguém".
O Ministério Público realizou na quarta-feira buscas na Polícia Judiciária (PJ) no âmbito do inquérito em que o diretor da instituição, Carlos Cabreiro, é suspeito de falsas declarações e abuso de poder, confirmou a Procuradoria-Geral da República (PGR).
"As diligências de buscas e apreensão em curso [...] visam a recolha de elementos probatórios tendentes a confirmar ou infirmar os factos constantes da denúncia que deu origem ao inquérito", adiantou, em comunicado, a PGR, acrescentando que o processo "não tem arguidos constituídos".
Em comunicado, a PJ garantiu ter colaborado "com as autoridades judiciárias" nas buscas, "prestando todo o apoio necessário ao normal desenvolvimento das diligências".
Segundo a PGR, o inquérito, por falsidade de testemunho e abuso de poder, está em segredo de justiça.
Um inquérito foi aberto na sequência de uma denúncia apresentada à PGR relacionada com o processo Football Leaks, segundo a qual o atual diretor da PJ prestou falsas declarações em tribunal quando disse que não foram feitas escutas ambientais na investigação a Rui Pinto, que terminou com a condenação a pena suspensa do 'hacker' e dos seu ex-advogado, Aníbal Pinto.
Este processo, que foi julgado em 2023, envolveu casos de acesso indevido e violação de correspondência de entidades como o Sporting, a Doyen (fundo de investimentos ligados ao futebol), a sociedade de advogados PLMJ, a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) e a PGR.
De acordo com a queixa, estão em causa gravações, que terão sido autorizadas por Carlos Cabreiro, de um encontro em 2015 numa área de serviço na autoestrada A5 (Lisboa-Cascais) entre Aníbal Pinto e outros intervenientes no processo, que terá sido decisivo para a PJ chegar à identificação de Rui Pinto.
Carlos Cabreiro, diretor nacional da PJ desde abril de 2026, era à data da diligência sob suspeita coordenador da Secção de Investigação da Criminalidade Informática da Diretoria de Lisboa e Vale do Tejo da força policial.
Aquando das declarações no julgamento do processo Football Leaks era diretor da Unidade Nacional de Combate ao Cibercrime e à Criminalidade Tecnológica da PJ.
Infelizmente Mónica Quintela nao tocou no caso bem mais politico de João Galamba.
O mesmo começou a ser escutado há quatro anos, no âmbito da investigação da Operação Influencer, na qual é arguido, revela o jornal Expresso.
O antigo ministro esteve sob escuta desde 2019, logo depois da abertura do inquérito o que faz por demais lembrar o funcionamento da ex pide-dgs ao tempo do fascismo de salazar e caetano.
Claro argumenta-se que as escutas podem não ter sido feitas de forma contínua, isto é para-se 24h segue-se depois com “nova” autorização de juiz!
Nao é ilegal, mas é manifestamente imoral e anti etico ou segundo juristas contactados pelo Expresso, “um abuso da Justiça”.
Algumas fontes ligadas ao processo os três procuradores do caso“basearam muita da prova nas escutas telefónicas” ao contrário de colegas seus do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) que trabalham sobretudo “a componente financeira e bancária”, até porque costumam ter a colaboração da Autoridade Tributária (AT).
“Há escutas a mais no caso. As conversas destes arguidos foram ouvidas durante meses e meses”, critica uma das fontes.