"A nuvem nuclear percorreu quase toda a Europa, incluindo a Espanha, e chegou até ao Japão. 40 anos depois, não nos libertámos de Chernobyl a contaminação radioativa persiste em vastas áreas da Europa, afetando ecossistemas, cadeias alimentares e comunidades humanas. Milhares de pessoas foram expostas à radiação e continuam a viver com as suas consequências, muitas vezes invisíveis, mas duradouras", denuncia o MIA.
Por outro lado, sustentou, a realidade de Chernobyl "contraria a narrativa de segurança frequentemente associada à energia nuclear" e demonstra "um padrão recorrente: a tendência para minimizar riscos, ocultar impactos e normalizar o inaceitável".
"Chernobyl continua a lembrar-nos que não há energia nuclear segura. Há apenas riscos que, mais cedo ou mais tarde, se tornam realidade", afirmou o MIA.
Além da zona onde a antiga central está instalada ser agora "um alvo" da guerra que opõe a Rússia à Ucrânia, o MIA lembrou também a central de Zaporijia, a maior da Europa, localizada na "linha da frente" do conflito entre russos e ucranianos e outras, como no Irão, que "são alvos militares em potência".
"Neste contexto, o Movimento Ibérico Antinuclear reafirma que a energia nuclear não é uma solução para a crise energética nem para as alterações climáticas. Pelo contrário, representa um risco estrutural, com consequências potencialmente irreversíveis, como tragicamente demonstrado em Chernobyl", vincou.
No comunicado, o MIA voltou a exigir o encerramento da mais que caduca e perigosa central nuclear de Almaraz, em Espanha, localizada junto ao rio Tejo, a pouco mais de 100 quilómetros da fronteira portuguesa, e anseia concretizar "a rejeição de qualquer prolongamento da sua operação e a aposta decidida em energias renováveis seguras, limpas e sustentáveis".