Tal  resulta dos seus laços estreitos com a extinta Jeune Garde Antifasciste (Jovem Guarda Antifascista ), suspeitos de envolvimento no ataque fatal. Mais ainda, dois assessores parlamentares do deputado do LFI, Raphaël Arnault, estão entre os nove suspeitos atualmente detidos.

Mas atençao a propria a extrema-direita causou muito mais vítimas do que a extrema-esquerda com um número lançado pelos  membros do partido: o de "12 assassinatos desde 2022" atribuídos à extrema-direita. "Alertamos sobre a violência da extrema-direita, que já ceifou 12 vidas na França desde 2022",escreveu Mathilde Panot, chefe do grupo de extrema-direita na Assembleia Nacional, na segunda-feira, dia X.

Uma semana após a morte de Quentin Deranque, que causou grande emoçao  na sociedade francesa, com o Presidente da República a apaziguar a situação na quinta-feira, 19 de fevereiro.

Durante a sua viagem à Índia, Emmanuel Macron instou os partidos políticos a "limparem a casa" nas suas fileiras.

“Devemos manter a calma” e “recordar os princípios da República”, exortou o chefe de Estado, dirigindo-se tanto aos “movimentos de extrema-esquerda” quanto aos “movimentos de extrema-direita que, por vezes, também contam com militantes em suas fileiras que justificam ações violentas”.

Na realidade, enquanto a extrema-esquerda, e em particular o partido La France Insoumise, está no olho do furacão após a morte de Quentin Deranque em Lyon, as notícias também têm sido marcadas por assassinatos atribuídos a movimentos ou indivíduos ligados à extrema-direita.

Não faz muito tempo, em janeiro de 2026, Ismaël Aali foi encontrado morto em um lago após uma noite com um “amigo”. O suspeito alega que foi um acidente, mas um vídeo mostra-o insultando a vítima com desprezo racista pouco antes do incidente. Ele foi, portanto, colocado em prisão preventiva por homicídio “motivado por raça, etnia, nacionalidade ou religião”.

Ismaël Aali junta-se a uma longa lista de 59 mortes provocadss  por movimentos fascistas desde 1989, em comparação com 6 da extrema-esquerda, segundo a contagem do historiador Nicolas Lebourg, entrevistado pelos nossos colegas do Libération.

O investigador respondia assim  à declaração de Marion Maréchal na BFMTV, na qual esta afirmou que "a violência da extrema-direita não existe no nosso país".

Segundo a pesquisadora Isabelle Sommier, coeditora do livro " Violência Política na França: De 1986 até os dias atuais" , dos 53 assassinatos com motivação ideológica cometidos entre 1986 e 2021, 9 em cada 10 foram perpetrados pela extrema direita.

“Se os ataques contra Quentin Deranque foram perpetrados por grupos antifascistas devido às suas opiniões políticas, ele seria a primeira vítima de um grupo de esquerda desde a Action Directe na década de 1980”, acrescentou o sociólogo em entrevista ao Nouvel Obs.