Ao Bom Dia 247, Genoino destacou o crescimento da participação espontânea de militantes, a intensificação das atividades de campanha nos bairros e a disposição de eleitores para conversar sobre política.
Para ele, esse movimento, que chama de “Data Povo”, revela uma dinâmica eleitoral que não é compreendida pelos resultados das pesquisas de intenção de voto.
“Eu estou acompanhando a campanha na rua. Eu tenho meu Data Rua e Data Povo. E a minha sensibilidade é que há um crescimento da campanha do Lula, há uma ocupação das ruas, há uma ocupação dos lugares, há uma militância espontânea que veio para a rua. Eu acho que esse clima vai aumentar”, afirmou.
A avaliação de Genoino ocorre em um momento de aproximação dos candidatos nas pesquisas eleitorais. Durante a entrevista, foi mencionado um levantamento do Poder Data que apontava empate de 50% a 50% entre Lula e Flávio Bolsonaro.
Na interpretação do dirigente petista, a redução da diferença entre os candidatos, combinada com a presença crescente de lulistas nas ruas, cria condições para uma disputa voto a voto na reta final da campanha.
O ex-presidente do PT considera que o principal indicador desse movimento não está apenas na quantidade de pessoas reunidas em manifestações, mas na maneira como os participantes se organizam depois dos atos. Segundo ele, a mobilização deixou de depender exclusivamente de atividades convocadas pelas direções partidárias e passou a alcançar comunidades, locais de trabalho e espaços de convivência.
E exemplificou com uma manifestação realizada na região da Avenida Vital Brasil com a Avenida Corifeu de Azevedo Marques, em São Paulo.
Segundo Genoino, depois da concentração, os participantes se dispersaram para continuar o trabalho de convencimento em diferentes regiões da cidade.
“O pessoal faz manifestação […] e se dispersa e vai penetrando nas comunidades, nos bairros, fazendo corpo a corpo. O importante é virar voto e há um clima de virar voto”, explicou.
Esta forma de organização demonstra que a campanha de Lula passou a contar com uma participação que ultrapassa as estruturas partidárias.
A presença de pessoas dispostas a abordar vizinhos, familiares e colegas de trabalho representa, em sua avaliação, uma oportunidade de alcançar eleitores que ainda não decidiram o voto ou que manifestam resistência aos dois candidatos.
Ele destacou a importância das mobilizações programadas para os últimos dias da disputa, entre elas atividades com a participação de Lula no ABC paulista e uma manifestação prevista para o centro de São Paulo.
Na avaliação do petista, esses encontros ampliam a presença da campanha no espaço público, mas precisam estar associados ao trabalho cotidiano de convencimento.
“A gente anda na rua, eu faço o meu DataRua todo dia e, ao fazer o DataRua, você encontra pessoas que viram voto, que já viraram o voto, mas há pessoas que param, querem conversar, resistem”, relatou.