O Geoparque Algarvensis o 7.º geoparque mundial português a ser reconhecido.

O Geoparque Algarvensis é uma área territorial com limites bem definidos, que possui um património geológico de grande relevo a nível nacional e internacional. 

Na mesma alia-se uma estratégia de geoconservação e um conjunto de políticas de educação e sensibilização ambiental, à promoção de um desenvolvimento socioeconómico sustentável baseado em atividades de geoturismo, que envolve as comunidades locais, e contribui para a valorização e promoção dos produtos locais.

Oficializado em 2019 como aspirante a Geoparque Mundial da UNESCO, junto da Comissão Nacional da UNESCO, foi reconhecido como Geoparque Mundial da UNESCO no dia 24 de abril de 2026, passando a integrar a Rede Mundial de Geoparques da UNESCO. Integra igualmente a Rede Portuguesa de Geoparques, dando continuidade ao trabalho de sensibilização junto das populações locais e reforçando o seu compromisso com a valorização e promoção sustentável do território.

"Aqui é o berço do geoparque", esclarece Elizabeth Silva à   TSF. Estamos na aldeia da Penina, no concelho de Loulé, e a coordenadora do Geoparque Algarvensis conta como tudo começou para que este sítio, que envolve três municípios (Loulé, Albufeira e Silves), tenha sido reconhecido pela UNESCO como Geoparque Mundial no dia 23 de abril.

Ali foi encontrada a "jazida fóssil da Penina", o "achado do Metoposauros Algarvensis, um anfíbio da Era do Triássico, com mais de 327 milhões de anos", explica. Um animal com quase três metros de comprimento que morreu por falta de água.

"Essa é a história que o Geoparque Algarvensis conta, (...) que um anfíbio, por viver aqui em lagunas e em charcos, também foi vítima das alterações climáticas", aponta.

O passeio é acompanhado por Paulo Fernandes, geólogo e professor da Universidade do Algarve, que tem auxiliado a equipa com o seu conhecimento científico.

"Orientei um aluno de mestrado e fizemos a cartografia. Na altura, nós íamos subir aquela arriba para ver se os contactos geológicos estavam corretos e encontrámos um osso ali em baixo que enviei a um colega meu da Universidade Nova de Lisboa", relata. E foi assim que o sítio foi descoberto. O crânio do animal pode ser visto no Museu Municipal de Loulé, assim como um Phytossaurus, um parente muito afastado de um crocodilo.

"Com isso tudo, conseguimos perceber como é que evoluímos e como é que a vida evoluiu nesta região do mundo", adianta a coordenadora.

O  Geoparque pretende  construir infraestruturas em cada um dos sítios classificados internacionalmente"para que seja uma forma de as pessoas poderem vir aqui e compreenderem melhor a história geológica deste território". Além da jazida da Penina, os visitantes podem ver os Arrifes em Albufeira, a mina de Salgema, em Loulé, ou o registo do terramoto de 1755 na Lagoa dos Salgados, em Albufeira.

No entanto, nos 2427 quilómetros quadrados de área terrestre e marítima, o geoparque quer, acima de tudo, dar a conhecer o território através da paisagem, mas também dos saberes dos artesãos e dos artistas e da gastronomia local.

"O Geoparque não é só sobre geologia, é feito para pessoas e com as pessoas", salienta Elizabeth Silva. "Nós temos as pessoas mais anciãs, que encerram elas próprias muitas histórias, e essa memória para nós é muito importante", sublinha.

Paulo Fernandes explica que o que salta à vista a quem chega àquele território é a paisagem. "O contraste paisagístico, morfológico do território e as cores. Por exemplo, nós estamos aqui numa faixa a que chamamos o grupo de Silves, que é uma faixa de rochas sedimentares avermelhadas que se consegue seguir desde Ayamonte [Espanha] até ao norte de Sagres", aponta.

"Mas as pessoas podem vir ao Geoparque e se quiserem vivenciar outra parte, que não seja a geologia, que seja só o artesanato, podem fazê-lo", explica. No entanto, adverte que, se são amadores e pouco conhecedores de geologia, "para compreender a história geológica, se calhar, é importante ter uma visita guiada num local ou em vários locais por guias que trabalham no Geoparque".

Elizabeth Martins considera que este "é um território de ciência, (...) muito importante para a explicação das alterações climáticas", dadas as evidências da extinção em massa de espécies que ali habitaram.

"Como é que nós nos adaptamos, por exemplo, à escassez de água? Como é que nós nos adaptamos à subida do nível médio das águas em termos do litoral? São estas evidências que conseguimos explicar a quem nos escuta, aos alunos e aos nossos políticos. É uma sala de aula ao ar livre. Quanto mais nós explicamos, mais fácil é também as pessoas compreenderem [e pensarem]: 'Afinal, eu, se calhar, tenho de mudar o meu comportamento.' É um bocadinho isto que aqui fazemos",