Quando a gordura acumulada no fígado ultrapassa cerca de 5% do volume total do órgão, instala-se uma condição conhecida como esteatose hepática, popularmente designada por "gordura no fígado". O problema, que durante anos foi associado sobretudo ao consumo excessivo de álcool, está hoje cada vez mais relacionado com estilos de vida pouco saudáveis.
Segundo a Organização Mundial da Saúde e diversas sociedades internacionais de hepatologia, a doença hepática gordurosa associada à disfunção metabólica tornou-se uma das principais causas de doença crónica do fígado em todo o mundo.
A maior preocupação dos médicos reside no facto de a doença evoluir frequentemente sem sintomas.
Muitas pessoas descobrem que têm gordura no fígado apenas durante exames de rotina, ecografias ou análises sanguíneas realizadas por outros motivos.
Os fatores de risco mais comuns incluem:
Em fases mais avançadas podem surgir sinais como fadiga persistente, desconforto abdominal do lado direito, barriga inchada, urina escura e coloração amarelada da pele e dos olhos.
Sem intervenção adequada, a gordura acumulada pode desencadear inflamação crónica, fibrose, cirrose e, em casos mais graves, cancro do fígado.
Apesar da gravidade potencial da doença, existe uma boa notícia.
Os especialistas são unânimes: a esteatose hepática é frequentemente reversível, sobretudo quando identificada precocemente.
Não existem fórmulas milagrosas nem suplementos capazes de substituir hábitos saudáveis.
A perda de peso gradual, a atividade física regular e uma alimentação equilibrada continuam a ser os pilares fundamentais do tratamento.
Estudos publicados em revistas científicas como a The Lancet e a Journal of Hepatology demonstram que uma redução de apenas 5% a 10% do peso corporal pode diminuir significativamente a gordura hepática e melhorar a função do fígado.
A prática regular de atividade física ajuda o organismo a utilizar a gordura como fonte de energia, reduzindo a sua acumulação nos tecidos.
Caminhadas rápidas, corrida, ciclismo, natação ou dança são exemplos de exercícios aeróbicos que apresentam benefícios comprovados.
Quando combinados com treino de força muscular, os resultados tendem a ser ainda melhores, contribuindo para:
Os especialistas recomendam pelo menos 150 minutos semanais de atividade física moderada.
A ciência tem demonstrado que determinados alimentos podem desempenhar um papel importante na recuperação da saúde hepática.
Ricos em fibras, vitaminas, minerais e antioxidantes, ajudam a controlar os níveis de açúcar no sangue, promovem a saciedade e reduzem processos inflamatórios.
Fornecem proteínas de elevada qualidade e nutrientes essenciais, como a colina e a metionina, fundamentais para o metabolismo adequado das gorduras no fígado.
Alimentos como azeite virgem extra, abacate, nozes, amêndoas, sardinha, cavala e salmão fornecem gorduras insaturadas com reconhecida ação anti-inflamatória.
Consumidos com moderação, podem contribuir para melhorar a saúde cardiovascular e hepática.
Tão importante quanto saber o que incluir é conhecer os alimentos que devem ser reduzidos.
Os principais "inimigos" do fígado incluem:
A frutose adicionada, presente em muitos produtos industrializados, tem sido apontada por vários estudos como um dos fatores que mais contribuem para a acumulação de gordura hepática.
O crescimento da obesidade e das doenças metabólicas está a transformar a esteatose hepática num importante desafio de saúde pública em Portugal e no mundo.
Os especialistas alertam que a prevenção continua a ser a estratégia mais eficaz.
Num tempo em que a medicina procura tratamentos cada vez mais sofisticados, a principal receita para proteger o fígado continua surpreendentemente simples: mexer mais o corpo, dormir melhor e colocar alimentos verdadeiros no prato.
O fígado trabalha todos os dias para manter o organismo em equilíbrio. A questão é saber se estamos a fazer a nossa parte para o ajudar.
Fontes: Organização Mundial da Saúde (OMS), European Association for the Study of the Liver (EASL), Journal of Hepatology, The Lancet Gastroenterology & Hepatology, Serviço Nacional de Saúde (SNS).
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