Num comunicado divulgado no seu site oficial, os organizadores afirmam que a mobilização surgiu em resposta a mortes ocorridas durante ações repressivas e está diretamente ligada à exigência de “Parar de financiar o ICE”.
No texto, o movimento critica a narrativa de setores conservadores e do governo federal.
“Enquanto Donald Trump e outros políticos de direita os difamam como 'terroristas', os vídeos mostram claramente que eles foram baleados em plena luz do dia por exercerem seu direito de protestar”, afirma o comunicado, ao mencionar o presidente dos Estados Unidos e aliados políticos.
A expectativa é de que manifestações e protestos ocorram nesta sexta-feira (30), em várias regiões do país, incluindo Minneapolis e Saint Paul, no estado de Minnesota, além de Nova York.
Uma publicação do The People's Forum destacou que a cidade de Nova York deve concentrar atos na Foley Square, tradicional ponto de manifestações no centro de Manhattan.
A mesma publicação reforçou o Apelo à mobilização nacional, citando os protestos anteriores em Minnesota. “Minnesota nos mostrou o caminho: é hora de paralisarmos tudo no país. Não há como agir normalmente enquanto o ICE aterroriza nossas comunidades. FORA ICE EM TODOS OS LUGARES!”, diz o texto divulgado nas redes sociais.
Os organizadores responsabilizam diretamente o ICE, a Patrulha da Fronteira e outras agências federais por operações descritas como “sequestros” de residentes e por práticas que, segundo eles, instauram um clima permanente de terror. “É hora de nos unirmos e dizermos basta”, conclui o comunicado oficial do movimento.
Entre as principais reivindicações da greve estão o fim do financiamento do ICE, a busca por justiça para pessoas mortas ou detidas pela agência federal e a suspensão completa de suas operações em todo o território estadunidense .
O apelo nacional intensificou-se na sequencia de protestos massivos em Minnesota, onde uma greve geral levou ao fecho de centenas de empresas, dada a indignação popular pelo assassinato de Renee Good, baleada por um agente do ICE em 7 de janeiro.
A tensão aumentou ainda mais no último sábado, quando Alex Pretti foi morto por agentes da Patrulha da Fronteira ao tentar defender uma mulher durante uma manifestação contra o ICE em Minneapolis, episódio que ampliou a repercussão do movimento e fortaleceu a convocação para a paralisação nacional.
Uma greve e centenas de protestos estão programados para ocorrer em todo o país nos dias 30 e 31 de janeiro, à medida que organizadores de base se mobilizam contra as atividades do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) em suas comunidades.
Após a morte de pelo menos oito pessoas em conexão com o ICE desde o início do ano – incluindo os assassinatos de grande repercussão de Renee Good e Alex Pretti em Minneapolis – os ativistas exigem a eliminaçao definitiva do ICE e da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP) de cidades e vilas em todos os Estados Unidos.
Para a primeira ação na sexta-feira, os organizadores, liderados por diversos grupos estudantis da Universidade de Minnesota, estão convocando uma “ paralisação nacional”, que significa
: “Sem trabalho. Sem aulas. Sem compras. Parem de financiar o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA)”.
O dia de “apagão”, que muitos na internet estão chamando de “greve geral”, é uma tentativa de “paralisar a economia”, dizem os organizadores.
No sábado, os organizadores, liderados pela organização nacional de base 50501, realizarão um "Dia Nacional de Ação pela Expulsão do ICE de Todos os Lugares", que incluirá uma variedade de protestos, manifestações e vigílias em todos os 50 estados e em Washington D.C.
Ao longo dos dois dias, os organizadores estão a exigir justiça para as pessoas detidas pelo ICE e para aquelas mortas pelas mãos tambem do ICE ou enquanto estavam sob custódia do ICE.
Tal abrange casos menos divulgados como o do imigrante cubano Geraldo Lunas Campos, de 55 anos, que foi morto enquanto estava sob custódia do ICE no Campo East Montana em El Paso, Texas, em 3 de janeiro; a detenção de Liam Ramos, de cinco anos, pelo ICE em Minnesota neste mês, quando ele voltava da escola; e o assassinato de Keith Porter Jr., de 43 anos, pelo ICE em Los Angeles na véspera de Ano Novo.
Uma pesquisa realizada esta semana pela YouGov revelou que a oposição ao ICE aumentou em relação ao início do mês, com mais estadunidenses a apoiar a abolição do ICE.
“Estamos a responder à indignação das pessoas. Temos visto a janela de Overton se deslocar”, disse Gloriann Sahay, coordenadora nacional da 50501. “Estamos a ver pessoas de espectros tipicamente apolíticos se envolverem nessa conversa e dizerem: 'Isso não parece os EUA'.”
As ações são uma continuação da mobilização em massa do último fim de semana em Minneapolis, na qual centenas de empresas fecharam e milhares de pessoas foram às ruas em 23 de janeiro como parte de uma greve geral para protestar contra o aumento da fiscalização da imigração na cidade.
Personalidades varias assumiram o apoio a esta luta, e os dois dias de protesto utilizarão diversas estratégias, disseram os organizadores ao The Guardian. Na sexta-feira, grupos estudantis, incluindo a Associação de Estudantes Somali, a União de Estudantes Negros e o Sindicato dos Trabalhadores Graduados da Universidade de Minnesota, liderarão manifestações no estado e estão pedindo a seus colegas em todo o país que façam o mesmo.
"Os estudantes estão sempre no centro dos movimentos por justiça em todo o mundo", escreveram as organizações num comunicado online . "Exigimos o fim definitivo do ICE!"
Os protestos serão seguidos por manifestações no sábado.
O grupo 50501 está a convocar protestos à volta de centros de detenção e escritórios regionais do ICE, bem como em aeroportos, visando companhias aéreas que transportam predos pelo ICE, incluindo a Global Crossing Airlines e a World Atlantic Airlines, e também nos escritórios de membros do Congresso estadunidense que apoiam o ICE.
O grupo também anunciou planos para desafiar parlamentares democratas que votaram recentemente a favor do financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) ou da expansão da autoridade do ICE.
Os organizadores afirmam estar monitorando as votações relacionadas à aplicação das leis de imigração e pretendem apoiar candidatos nas primárias contra os parlamentares que descrevem como "pró-ICE".
Entre os parlamentares mencionados na campanha estão os representantes Henry Cuellar e Vicente Gonzalez, do Texas; Don Davis, da Carolina do Norte; Laura Gillen e Tom Suozzi, de Nova York; Jared Golden, do Maine; e Marie Gluesenkamp Perez, de Washington.
Os organizadores estão a pedir ao Congresso que bloqueie o financiamento do Departamento de Segurança Interna (DHS) até que o Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) seja desmantelado e que aprove uma legislação que ponha fim à cooperação federal com as forças policiais locais.
Chuck Schumer, lider democrata no Senado, exigiu que os republicanos concordassem com novas restrições ao ICE, incluindo a obrigatoriedade do uso de câmeras corporais pelos agentes e a proibição do uso de máscaras, antes de assinarem um projeto de lei para financiar o DHS na quinta-feira, a fim de evitar uma paralisação parcial do governo.
Na Flórida, os organizadores planeiam continuar a realizar vigílias em memória das pessoas detidas e mortas pelo ICE, protestando em Alligator Alcatraz , o centro de detenção de imigrantes no sul da Flórida, e na sede do conselho escolar de Sarasota para combater uma resolução recentemente aprovada que exige que as escolas cooperem com o ICE.
“A resposta rápida não é novidade na Flórida”, disse Sarah Parker, coordenadora nacional da organização 50501, com sede em Tampa. “Temos a infraestrutura, temos a vontade e não vamos desistir.”
Uma das campanhas mais proeminentes é a “Sem Hospedagem para o ICE”, que pressiona hotéis a suspenderem a hospedagem de agentes do ICE, da CBP e do DHS durante operações.
A população é incentivada a ligar para hotéis, deixar avaliações negativas online, organizar manifestações em frente aos responsáveis pela hospedagem e fazer e cancelar reservas para dificultar a atuação dos hotéis.
A campanha segue ações anteriores em Los Angeles, Minneapolis e outras cidades, onde pessoas bateram panelas em frente aos hotéis onde agentes do ICE haviam se hospedado.
Outra iniciativa, chamada “#DontServeICE”, terá como alvo empresas locais, restaurantes, postos de gasolina e retalhistas.
A campanha também apela às câmaras de comércio e associações empresariais para que adotem compromissos de não cooperação e incentiva os consumidores a boicotarem as empresas que têm ligações às operações da ICE .
A Free DC, uma organização de Washington D.C. que apoia o Dia de Ação, planeia protestar em todas as lojas Target da cidade em 31 de janeiro. Após a detenção violenta de funcionários da Target numa loja na região de Minneapolis pelo ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) no início deste mês, ativistas pediram um boicote renovado à empresa.
Em chamadas online realizadas em 26 de janeiro, com mais de 1.100 ativistas, os organizadores afirmaram que a Target era apenas uma das muitas empresas que planeiam boicotar e pressionar para que se posicionem contra o ICE.
Os protestos refletem uma luta nacional mais ampla e intensa sobre a aplicação das leis de imigração, a responsabilização policial e o papel das agências federais nas comunidades locais. Na última década, após a separação de famílias na fronteira entre os EUA e o México e relatos de violações de direitos humanos em centros de detenção, o ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA) tornou-se alvo de ativistas que pedem sua eliminação ou reforma e supervisão significativas.
As ações de sábado não representam um ponto final, mas sao sim parte de uma campanha para continuar, afirmou o grupo 50501 que após o Dia Nacional de Ação, o grupo planeia participar de um “Dia Nacional de Lobby pelo Impeachment de Trump” em 17 de fevereiro.
Eis alguns exemplos de Iniciativas destes Dias de Luta Anti ICE !