Na sexta-feira,  as propostas apresentadas pela cheganice, pelo Bloco de Esquerda e pelo Livre vão ser votadas no Parlamento, sabendo-se já que o PSD e o PS estão contra a desclassificação de documentos sobre a violência da extrema-direita e da extrema-esquerda no pós-Revolução.

Concordamos com o historiador José Pacheco Pereira que se declarou "inteiramente a favor da revelação dos arquivos respeitantes a todos os movimentos de caráter terrorista", sublinhando que a questão dos nomes de informadores pode ser a "mais senvível" no processo, mas possível de contornar.

"Eu não sei se os arquivos são secretos. Eu acho que isso é uma classificação destinada a dizer que há muita coisa escondida. (...) Pode-se simplesmente apagar esses nomes [dos informadores] e revelar o conteúdo dos documentos. Portanto, sou inteiramente a favor da abertura desses documentos e contrariar uma tendência que existe na administração e nos Governos para não revelar coisas que são fundamentais para perceber aquilo que aconteceu em Portugal nos últimos anos",

"No caso da rede bombista [de extrema-direita], como sabemos, houve ali um certo branqueamento. Temos de nos lembrar que éramos um país saído de uma revolução e, portanto, o novo poder democrático procura varrer um pouco para baixo do tapete esta violência da extrema-direita, ilibando muito o que aconteceu na rede bombista", sustentou.

"Um pouco à imagem do que fará nos anos 90 com as amnistias e os indultos às FP25 e também a elementos da rede bombista. Mas no caso também da violência separatista nos Açores e na Madeira, da Flama e da Flá, que é brutal naqueles anos de 76, 77, 78. (...) Ou seja, temos uma série de organizações que estão ativas à direita até finais dos anos 70 e isto, de facto, não me parece que tenha entrado nem na historiografia nem no próprio senso comum. Isso seria importante estudar e perceber."

Tambrm o jornalista Miguel Carvalho, autor do livro "Quando Portugal ardeu", concorda com a ideia de que há muito para esclarecer sobre a extrema-direita.

"É preciso dizer que os tribunais nem sequer consideraram que essa rede bombista tivesse existido. Portanto, este processo não foi julgado ao longo de anos com adiamentos, com o cancelamento de uma fase do julgamento. Isto só acabou já no início dos anos 80 e foi julgado em tribunais militares, o que explica muito do cuidado e da tentativa de suprimir alguns aspetos deste processo da rede bombista que, também é preciso lembrar, teve imensas complicidades ao nível político, religioso e militar", considerou.

Sobre o argumento de "ajuste de contas" com o passado utilizado pelo PS, no Parlamento, Miguel Carvalho disse entender, mas considera também que é preciso que se faça "luz" sobre esses tempos.

"Está visto que não adianta estarmos aqui a trazer factos, a trazer coisas fundamentadas, porque haverá sempre alguém a fazer a manipulação da nossa história e a reescrevê-la. Mas é também por isso, sobretudo pensando nos cidadãos que querem serem esclarecidos e depois tomar as suas decisões, que há uma necessidade urgente de trazer à luz do dia as sombras de um tempo", atirou.

Lembrando entre todos os assassinados o padre Max, estranhamente abanfonado pela sua igreja, a catolica, que nada fez para descobrir e apelar à condenação do assassino e acrescentando o assassinato de Amaro da Costa e Sá Carneiro haverá muito a relatar dos assassinatos da extrema direita.

Urge pois abrir estes dossiers e dar a conhecer a verdade sobretudo a uma juventude que pouco acredita nas estorietas “institucionais”!