O mercado imobiliário português voltou a fechar o ano em alta. Em 2025, os preços das casas em Portugal subiram 6,8% face ao ano anterior, alcançando um novo máximo histórico pelo segundo mês consecutivo.

Comprar casa passou a custar, em média, 3.019 euros por metro quadrado, confirmando a persistência de um ciclo de valorização que atravessa praticamente todo o território nacional.

Os dados constam do mais recente Índice de Preços Imobiliários do idealista e revelam não apenas a continuidade da pressão sobre a habitação, mas também um aprofundamento das assimetrias regionais, com capitais de distrito do interior e ilhas a registarem subidas expressivas.

Capitais de distrito: interior e ilhas ganham protagonismo

Entre as capitais de distrito e regiões autónomas analisadas, Santarém liderou as subidas anuais, com um aumento de 27,1%, seguida por Beja (20%) e Setúbal (17,2%). Estes valores contrastam com as variações mais moderadas observadas em Lisboa e no Porto, ambas com aumentos de 4,8%, sinalizando uma desaceleração relativa nos mercados tradicionalmente mais pressionados.

Apesar disso, Lisboa mantém-se como a cidade mais cara para comprar casa, com um preço mediano de 5.995 euros por metro quadrado, muito acima do Porto (3.885 euros/m²) e do Funchal (3.861 euros/m²). No extremo oposto, cidades como a Guarda (976 euros/m²), Portalegre (985 euros/m²) e Castelo Branco (1.045 euros/m²) continuam a oferecer valores substancialmente mais baixos, ainda que também em trajetória ascendente.

Distritos e ilhas: Porto Santo destaca-se de forma excecional

Ao nível dos distritos e ilhas, a valorização foi generalizada. A ilha de Porto Santo registou a maior subida anual do país, com um expressivo aumento de 42,6%, destacando-se claramente das restantes regiões. Seguiram-se ilhas dos Açores, como o Faial, São Miguel e Terceira, todas com crescimentos próximos ou superiores a 20%.

Lisboa continua a liderar o ranking dos distritos mais caros, com 4.573 euros por metro quadrado, seguida por Faro (3.870 euros/m²) e pelas ilhas da Madeira e Porto Santo. Na base da tabela surgem a Guarda (857 euros/m²), Portalegre (908 euros/m²) e Bragança (940 euros/m²), confirmando a persistência de um fosso territorial nos preços da habitação.

Regiões: Açores e Madeira lideram subidas, Norte estabiliza

Em termos regionais, a Região Autónoma dos Açores registou a maior subida anual, com 20,1%, seguida pela Madeira (14,6%) e pelo Alentejo (14,3%). O Norte foi a única região a apresentar estabilidade relativa, com uma variação anual de apenas 0,5%.

A Área Metropolitana de Lisboa continua a ser a região mais cara do país, com um preço mediano de 4.239 euros por metro quadrado, à frente do Algarve e da Madeira. O Centro mantém-se como a região mais acessível para adquirir habitação, com um valor médio de 1.716 euros/m².

Um mercado em tensão estrutural

A leitura global dos dados confirma uma realidade estrutural: a procura continua a superar largamente a oferta, pressionando os preços mesmo em contextos de maior incerteza económica. A expansão das subidas ao interior e às ilhas sugere uma redistribuição geográfica da procura, mas não resolve o problema central do acesso à habitação, sobretudo para famílias de rendimentos médios e jovens.

Como escreveu o economista John Kenneth Galbraith, “a economia raramente resolve problemas; limita-se a deslocá-los”. No caso da habitação em Portugal, os números de 2025 mostram que o problema não desapareceu — apenas mudou, em parte, de geografia.

Fontes e referências
– Índice de Preços Imobiliários do Idealista, Relatório Anual de Preços de Venda, dezembro de 2025
– Relatório completo disponível em: https://www.idealista.pt/media/relatorios-preco-habitacao/venda/