Um século depois da emancipação dos escravos, as palavras de Martin Luther King Jr. ecoaram em Washington na marcha por emprego e liberdade com mais de 250 mil pessoas s ouvirem o seu discurso, a partir da escadaria do Memorial a Lincoln, no qual exigiu direitos civis e económicos para os negros e o fim do racismo legalizado nos EUA

Neste seu discurso há 62 anos,  “Eu tenho um sonho”, o pastor  e ativista dos direitos civis Martin Luther King Jr. relata a longa história de injustiça racial nos EUA.

Martin Luther King  lembra a  plateia que já se passou mais de um século desde que a Proclamação da Emancipação foi sancionada, pondo fim à escravidão nos Estados Unidos. No entanto, os negros estadunidenses apesar de  tecnicamente livres da escravidão, as "cadeias da discriminação" e as "algemas da segregação" continuam a definir a experiência negra nos Estados Unidos.

Por isso é chegada a  hora, diz Luther  King, dos negros americanos "descontarem o cheque" que lhes foi prometido há um século e exigirem "as riquezas da liberdade e a segurança da justiça".

Urge uma solução gradual para o racismo, afirma King — é o " verão sufocantedo legítimo descontentamento do negro", e o país atingiu seu ponto de ebulição.

Luther King pede  que os "redemoinhos da revolta" se transformem em ação, e  exorta aqueles na linha de frente do movimento pelos direitos civis a não deixarem que "amargura e ódio" definam suas ações.

Eles não podem deixar o seu movimento por justiça "degenerar em violência física" e pede aos  seus ouvintes a permanecerem nas "alturas majestosas" da resistência não violenta e também a não verem seus aliados brancos como inimigos. Para trazer a verdadeira justiça, diz King, os estadunidenses de todas as raças precisarão de se unirem e permanecerem fiéis aos valores da solidariedade não violenta.

King reconhece as longas e difíceis lutas que muitos de seus ouvintes já enfrentaram — ele sabe que os envolvidos no movimento pelos direitos civis foram espancados, insultados e encarcerados.

Apedar disso  incentiva-os  a retornarem para casa após a marcha, onde quer que vivam, seja no Sul escaldante ou nos "guetos das cidades do Norte", confiantes no valor e na promessa de sua luta.

Lither  King invoca entao o sonho que tem para a América: um sonho de que um dia o país "viva o verdadeiro significado de seu credo" e torne realidade que "todos os homens são criados iguais".

Ele sonha que seus filhos um dia viverão numa sociedade onde serão julgados não "pela cor de sua pele, mas pelo conteúdo de seu caráter" e que, no futuro, crianças negras e crianças brancas se unirão como irmãs e irmãos.

King exorta os participantes a levarem sua fé em mudanças significativas de volta às suas cidades natais onde devem continuar a lutar juntos, enfrentar o encarceramento juntos e "defender a liberdade juntos" para realmente fazer dos Estados Unidos uma grande nação.

Clama pela liberdade que ecoe por todo o país, das montanhas mais altas do Colorado à Stone Mountain, na Geórgia, a "cada colina e pequeno morro do Mississippi".

Quando os Estados Unidos coletivamente permitirem que a liberdade ecoe por suas colinas e vales, diz ele, só então "homens negros e brancos, judeus e gentios, católicos e protestantes" poderão cantar com sinceridade e honestidade as palavras do antigo cântico negro:

"Finalmente livres, finalmente livres; graças a Deus Todo-Poderoso, somos livres finalmente".

 

 

https://youtu.be/smEqnnklfYs?si=5_7biEaF_kQ3qvO6