A sua música “Eu tô achando que eu tô” nasceu sem ensaio, sem preparação, num único take, gravado de forma direta e visceral.

É neste improviso que se encontra a força de uma voz que ecoa o mal-estar de uma juventude cansada de sobreviver numa sociedade que insiste em excluir a diferença.Entre versos que falam de solidão, sobrevivência e um mundo que parece desmoronar diante dos olhos de todos, IbaG expõe as contradições da contemporaneidade.

A sua rima denuncia a corrupção que insiste em governar, a violência policial que não cessa e a hipocrisia de uma sociedade que criminaliza um baseado enquanto devora silenciosa a Amazónia.Sem filtros, o jovem artista põe em evidência a fratura entre o quotidiano da maioria e os discursos oficiais que tentam normalizar a desigualdade.

Num dos momentos mais marcantes da letra, Ibag atira: “Isso não é videogame, só tem uma vida. Gente em casa vendo Netflix, assistindo filme sobre guerra. Gente que tá vivendo a guerra, sendo inspiração pro Netflix.”A música não é só arte, é também resistência e catarse. Na crueza do improviso, a sua rima torna-se intervenção social, revelando como a música urbana é capaz de traduzir o grito sufocado de muitos jovens que não se veem representados nas estruturas dominantes.

O que torna o trabalho ainda mais singular é a sua espontaneidade: nenhum planeamento, nenhuma produção elaborada — apenas a urgência de expressar uma verdade.

O vídeo, disponível no YouTube, é igualmente um registo cru e direto, captado em apenas um take, espelhando a autenticidade do artista.Ibag não busca fama.

Como diz na sua letra, o que procura é sustento e, acima de tudo, deixar um legado. E talvez aí resida a sua maior força: ao transformar descontentamento em criação, IbaG inaugura uma caminhada artística onde vulnerabilidade e potência se cruzam, prometendo abrir caminho para outros que, como ele, recusam silenciar-se.