Tal foi um grande impulso que estes fenómenos astronómicos deram à ciência.
Curiosamente esta capacidade de previsão permitiu, por vezes, salvar vidas, como aconteceu com Colombo em 1503.
Na Antiguidade, os eclipres eram uma experiência arrepiante o que explicará a associação regular dos fenómenos celestes aos mitos.
Os eclipses de outros planetas, como os de Júpiter e das suas luas, também contribuíram para o conhecimento científico.
Graças a eles, o astrónomo dinamarquês Ole Rømer fez, em 1676, a primeira estimativa da velocidade da luz, pois a luz não é instantânea, mas que se propaga a uma velocidade finita que estimou num intervalo entre 242.000 e 283.000 quilómetros por segundo. Não ficou muito longe do valor real, que foi calculado séculos depois em 299.792,458 quilómetros por segundo.
Após o evento de 1842, ocorreu outro eclipse total na Península Ibérica no dia 18 de Julho de 1860, que permitiu resolver o debate sobre a natureza das protuberâncias solares.
O astrónomo britânico Warren de la Rue, a partir de Ribabellosa (Espanha) usou um foto-heliógrafo e obteve imagens das protuberâncias durante a fase de eclipse total, comparando-as depois com outras captadas a centenas de quilómetros de distância.
Eram idênticas e a conclusão foi inequívoca: as estruturas não eram uma ilusão óptica, mas sim fenómenos reais do Sol.
Outro eclipse solar total com relevância histórica e científica ocorreu no dia 18 de Agosto de 1868 e foi visível a partir da Índi
Ele permitiu a descoberta de um novo elemento químico: o hélio.
O primeiro passo foi dado pelo astrónomo francês Pierre Janssen que ao observar as protuberâncias solares com um espectroscópio em Guntur, no estado indiano de Madrasta, detectou uma brilhante linha espectral amarela que não correspondia a qualquer elemento químico conhecido na Terra.
“O que seria?”, interrogou-se. Enviou da Índia um relatório para a Academia das Ciências de França, em Paris, explicando o que acontecera.
Em Outubro desse ano, enquanto a carta de Janssen atravessava os oceanos, o britânico Norman Lockyer, ignorando a descoberta do francês, detectou por seu turno a misteriosa linha amarela a partir deInglaterra.
Analisou a luz solar com um espectroscópio de alta resolução que isolava a luz ofuscante do Sol.
Nesse mesmo ano de 1905, Einstein publicaria quatro artigos fundamentais para a física, lançando o caminho que o levaria a esboçar em 1915 a teoria da relatividade geral. Faltava, porém, provar que a gravidade dos corpos maciços consegue curvar o espaço-tempo. O astrónomo inglês Arthur Eddington pensou que, se assim fosse, a luz das estrelas teria de se desviar ao passar perto deles.
A experiência capaz de comprovar esta hipótese chegou com eclipse solar de 29.05.1919
Cientistas de vários países organizaram expedições a Sobral, no Brasil, e àilha de São Tomé (então sob jurisdição portuguesa).
Esse eclipse permitiu a Eddington observar estrelas próximas do Sol que normalmente não se vêem e, ao comparar as suas posições com outras realizadas quando estavam mais afastadas do astro, ficou claro que pareciam estar ligeiramente deslocadas.
Deduziu assim que a sua luz era desviada pela gravidade solar, tal como o génio alemão previra. A popularidade de Einstein disparou da noite para o dia .
Os eclipses nunca tinham sido tão reveladores.
A partir de 1930, com a invenção do coronógrafo, tornou-se possível simulá-lo
Na Antiguidade, a maioria dos povos olhava para os céus em busca de harmonia e regulava a existência pela ordem da natureza a seu redor.
Há muito que o monumento megalítico deStonehenge, no Sul de Inglaterra, fascina os estudiosos.
A sua enigmática estrutura e propósitos difíceis de descodificar têm desafiado especialistas de diversos domínios científicos.
Vejamos como os Antigos viam os eclipses solares,
Apep, a serpente da lua (Antigo Egito)
Apep encarna o caos e a morte, por isso é adversário natural para o deus do sol Rá.
A serpente persegue Rá e lutam enquanto o Deus arrasta o Sol através do céu, iluminando o mundo.
De vez em quando, o monstro quase consegue vencer o disco solar, dando origem a um eclipse.
Por sorte, Ra e os defensores a bordo de sua barcaça do céu sempre conseguem lutar e se livrar da sombra de Apep.
Rahu, o antideus decapitado (Hinduísmo)
O antideus Rahu foi vencido e decapitado por Vishnu, um dos maiores deuses do hinduísmo e responsável pelo universo.
A cabeça, entretanto, se tornou imortal e busca a vingança até hoje.
Por vezes ele consegue capturar o Sol ou a Lua (o que resulta no eclipse), mas é sempre derrotado já que ou os perde porque fogem ou porque, ao engoli-los, os astros escapam, uma vez que Rahu não tem corpo.
Sebettu (Antiga Mesopotâmia)
O deus da praga, Erra, trouxe a morte à Mesopotâmia Antiga, e os Sebettus marcharam em seu rastro.
Esses sete guerreiros demoníacos da divindade espalharam a doença e a morte pela sociedade — e ocasionalmente se juntam no céu para apagar a Lua, o que resulta em um eclipse.
Os assírios viam esses fenômenos como presságios terríveis, os eclipses lunares particularmente representavam a condenação divina do rei. Às vezes, isso exigia o sacrifício do governante, que deveria ser substituto.
Sköll e Hati mitologia nordics
O famoso — e esperto — Loki omanda Fenrir, um lobo gigante que criou a eventual desgraça do Sol e da Lua, a dupla de homens-lobos Sköll e Hati. Esses monstros tentam, mas não conseguem engolir os astros — e quando finalmente mordem um deles, a luz do mundo extingue em suas barrigas sombrias.
Peri (Antiga Pérsia)
De volta ao século 6 aC, os Peri eram humanóides pequenos e alados nas tradições persas pré-zoroastrásicas.
Como outras “fadinhas”, a sua relação com os seres humanos variou da benevolência casual à destruição maliciosa.
Eles podiam ajudar as pessoas, mas também eram capazes de arruinar colheitas e escurecer o sol. O Peri teve esse papel até a cultura islâmica reescrevê-los como anjos arrependidos.
Para os vikings, um par de lobos ficava perseguindo o Sol e a Lua no céu. Cada vez que davam uma mordidinha, vinha um eclipse. No Vietnã, o devorador de astros era um sapo gigante. Na China, um dragão
Lídios e medos travavam uma guerra na Anatólia, território que corresponde em grande parte à atual Turquia. Segundo o historiador grego Heródoto, o conflito prolongava-se havia anos sem que nenhum dos lados conseguisse impor uma vitória definitiva.
Até que, durante uma batalha, o dia subitamente se transformou em noite.
O fenómeno é tradicionalmente associado ao eclipse solar de 28 de maio de 585 a.C.
Perante o desaparecimento do Sol, os dois exércitos terão interpretado aquilo que viam como um sinal divino. A batalha foi interrompida e as partes procuraram chegar a um acordo de paz.
O que começou como necessidade de interpretar aquilo que parecia sobrenatural acabou também por incentivar a observação sistemática do céu.
Os astrónomos babilónicos, em particular, reconheceram padrões na repetição dos eclipses e desenvolveram formas cada vez mais sofisticadas de antecipar estes acontecimentos.