O mês de janeiro de 2026 ficará registado como um dos momentos mais marcantes da última década para o setor cinematográfico em Portugal. ,

De acordo com dados divulgados pelo Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA), o primeiro mês do ano apresentou o melhor desempenho desde 2017 e registou o maior número de espectadores desde 2010 — um marco que não era alcançado há mais de dez anos.

Também ao nível financeiro os números impressionam. A receita bruta de janeiro foi 55% superior à média dos últimos dez anos para este mês, tornando-se a melhor receita de sempre em janeiro no mercado português.

Para António Paulo Santos, diretor-geral da FEVIP - Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais, os resultados são inequívocos:

“Os resultados de janeiro de 2026 demonstram de forma muito clara que o cinema continua a ocupar um lugar central na vida cultural dos portugueses. Num contexto exigente e desafiante, este desempenho histórico, em particular o maior número de espectadores desde 2010, é um sinal muito positivo para todo o setor e reflete a diversidade e qualidade da oferta cinematográfica disponível.”

Filmes independentes superam expectativas

Um dos dados mais relevantes do mês foi o desempenho dos filmes independentes, que alcançaram uma quota de mercado de 53%. O principal motor deste crescimento foi o sucesso do filme A Criada, que impulsionou significativamente a procura por produções fora do circuito puramente comercial.

Em paralelo, os grandes lançamentos internacionais mantiveram um peso determinante na faturação mensal. Os filmes Avatar: Fogo & Cinzas e Zootrópolis 2 geraram, em conjunto, cerca de 3 milhões de euros, representando 34% da receita total de janeiro.

Esta conjugação entre cinema independente e grandes produções internacionais demonstra uma diversificação de consumo que reforça a maturidade do mercado nacional.

Cinema mantém ligação emocional ao público

Apesar das dificuldades estruturais que persistem em várias localidades do país — nomeadamente a redução de salas e o acesso desigual à exibição cinematográfica — os dados revelam uma realidade clara: o público português continua a valorizar a experiência coletiva da sala escura.

Segundo António Paulo Santos, estes resultados comprovam que “o público português mantém uma forte ligação emocional ao cinema, que continua a desempenhar um papel central na vida cultural e no lazer em Portugal”.

Num contexto marcado por plataformas digitais e novas formas de consumo audiovisual, janeiro de 2026 surge como um sinal inequívoco de que a experiência cinematográfica tradicional continua viva — e, para já, mais forte do que muitos antecipavam.

 

Fontes:

Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) – Dados oficiais de bilheteira, janeiro 2026
FEVIP – Associação Portuguesa de Defesa de Obras Audiovisuais
Comunicação institucional LPM Comunicação – janeiro 2026